Arquivos Minas Gerais - PCB/MG https://www.poderpopularmg.org/tag/minas-gerais/ Poder Popular Minas Gerais Fri, 03 Apr 2026 13:15:45 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 PCB comemora 104 anos com lançamento de pré-candidaturas à Assembleia Legislativa https://www.poderpopularmg.org/pcb-comemora-104-anos-com-lancamento-de-pre-candidaturas-a-assembleia-legislativa/ https://www.poderpopularmg.org/pcb-comemora-104-anos-com-lancamento-de-pre-candidaturas-a-assembleia-legislativa/#respond Tue, 31 Mar 2026 21:02:57 +0000 https://www.poderpopularmg.org/?p=77150 O post PCB comemora 104 anos com lançamento de pré-candidaturas à Assembleia Legislativa apareceu primeiro em PCB/MG.

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No último domingo (29/3), o Partido Comunista Brasileiro (PCB) comemorou seu aniversário de 104 anos com o lançamento de três pré-candidaturas a deputado estadual em Minas Gerais: Jéssica Carvalho, Thomas Carrieri e Mário Mariano. Eles se juntam à chapa encabeçada pelo professor Túlio Lopes, pré-candidato do PCB ao governo de Minas Gerais.

Realizada no Sindicato dos Trabalhadores Ativos e Aposentados em Empresas de Assessoramento, Pesquisas, Perícias, Informações e Agentes Autônomos (Sintappi-MG), em Belo Horizonte, a atividade contou com militantes históricos do Partidão, como José Francisco Neres, Maria do Carmo Souza Dantas e Emanuel Bonfante; integrantes do Comitê Central e do Comitê Regional do Partido; representantes dos coletivos partidários, como União da Juventude Comunista (UJC), Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro (CFCAM) e Unidade Classista (UC); e diversos apoiadores e amigos do PCB.

Com 104 anos de luta em defesa da classe trabalhadora, o Partidão apresenta uma chapa aguerrida de pré-candidatos à Assembleia Legislativa:

Jéssica Carvalho

Formada em Filosofia pela Universidade Federal de São João del-Rei, atualmente mestranda em História na linha Poder e Cultura, também na UFSJ, pesquisa o movimento feminista internacional a partir da perspectiva do trabalho reprodutivo. Iniciou a militância na UJC e hoje constrói de forma coletiva o CFCAM e o coletivo de mães estudantes ‘Mães Resistem’, que luta por políticas públicas de acesso e permanência de mães no ensino superior.

Mário Mariano

Professor e pesquisador da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, educador popular, já foi presidente e vice presidente da Associação de Docentes da UFVJM e atualmente é tesoureiro da entidade. Foi primeiro vice presidente da Regional Leste do ANDES SN atuando na luta docente de universidades, institutos federais e CEFET de Minas Gerais.

Thomás Carrieri

Professor de matemática pela UFMG, foi coordenador geral do DCE UFMG, é estudante de artes plásticas na UEMG, Brigadista Florestal Voluntário e Membro da diretoria da Associação Cultural José Marti MG de solidariedade a Cuba.

Os três estarão junto ao pré-candidato do PCB ao governo de Minas, professor Túlio Lopes, em atividades pelo estado.

Professor da Universidade do Estado de Minas Gerais(UEMG), Túlio Lopes atuou no movimento comunitário em BH, no Movimento Estudantil, e atua no Movimento Sindical. Atualmente, Túlio Lopes é presidente da Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Minas Gerais (ADUEMG) e Secretário Político (presidente) do PCB em Minas Gerais.

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Luta de classes e os trabalhadores da educação básica de Minas Gerais: o dilema das forças que hegemonizam o aparelho sindical https://www.poderpopularmg.org/luta-de-classes-educacao-basica-minas-gerais/ https://www.poderpopularmg.org/luta-de-classes-educacao-basica-minas-gerais/#comments Thu, 01 Feb 2024 20:16:28 +0000 https://www.poderpopularmg.org/?p=77040 O post Luta de classes e os trabalhadores da educação básica de Minas Gerais: o dilema das forças que hegemonizam o aparelho sindical apareceu primeiro em PCB/MG.

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Osvaldo Teodoro
Mestre em Educação, Professor efetivo de História da Rede Estadual de Minas Gerais, Militante da Unidade Classista e do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

 

“O que se vê habitualmente é a luta das pequenas ambições (do próprio [interesse] particular) contra a grande ambição (que é inseparável do bem coletivo)”.
Antonio Gramsci

Nos primeiros dias de fevereiro, milhares de trabalhadores da rede básica estadual de educação retornarão às escolas para o início do ano letivo. Em 2023, infelizmente, a categoria colecionou derrotas. Não conseguimos, mais uma vez, avançar para que o estado de Minas Gerais cumpra a legislação vigente e garanta o pagamento do piso salarial, as designações de trabalhadores da educação – expressão da atual precarização das relações de trabalho – seguem naturalizadas (cada ano de forma mais selvagem), o reajuste salarial, efetivado apenas no segundo semestre, estabeleceu-se abaixo do indicado e a categoria ainda sofreu com o pagamento do retroativo em muitíssimas parcelas. Não bastasse, nos últimos dias do ano, os trabalhadores da educação receberam a notícia da negação do rateio do FUNDEB[1]. Na esteira das grandes ameaças, anexa-se o projeto Somar[2], a municipalização das escolas e a inserção de Minas Gerais ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Vale ressaltar, esta última, asfixiaria direitos vitais para toda a população mineira.

Ora, mas o que estaria obstaculizando, de forma frequente, os avanços mais imediatos da categoria? É verdade que passamos, nos primeiros anos do século XXI, um período de apassivamento da classe ou se preferirmos, para utilizar uma expressão do genial Florestan Fernandes, experimentamos uma “democracia de cooptação[3] forjada na esfera federal, porém, não afastando-se das contradições, reverberando nas relações entre estados e munícipios. O tortuoso desenvolvimento desta via que priorizava a governabilidade como estratégia e, para tanto, na medida em que cedia para setores, entre outros, monopolistas, do agronegócio e do capital financeiro, era obrigado a restringir as demandas populares. O limite deste caminho deu-se em 2016, quando os próprios setores do capital, tão bem tratados neste período, decidiram romper o pacto estabelecido, evidenciando assim os limites da estratégia adotada na última quadra.

A partir de 2016, setores dominantes no Brasil não conseguem manter seus padrões de acumulação, intensifica-se ascensão de uma agenda ultraliberal, assim, pútridas criaturas que habitavam os esgotos emergem à superfície, ganham protagonismo e assumem o poder político. No estado de Minas Gerais o roteiro é muito similar e, nesta toada, eleva-se à condição de governador um personagem caricato e infame, Romeu Zema, eleito através do partido NOVO que possui como bandeira, entre outras atrocidades, a defesa da anarquia do mercado, a gestão empresarial do Estado, as privatizações, a precarização das leis trabalhistas e a supressão dos direitos sociais. Pois bem, seria então a atual conjuntura e as pautas ultraliberais do atual governo mineiro que arrefeceram os avanços das demandas dos trabalhadores da educação de Minas Gerais?

Parece-nos que a resposta desta questão não pode ser construída de forma superficial; é inegável que um governo ultraliberal vai de encontro, ainda de forma mais descarada, aos interesses dos trabalhadores. Entretanto, trabalhadores da educação, muitos deles, ligados ao movimento sindical, insistem na aligeirada ideia de que a culpa da ascensão do atual governo mineiro é de determinados setores da população, inclusive seus companheiros(as) de trabalho, que por “ignorância ou insensatez” elegeram o então mandatário. Essa ladainha, fomentada por setores da atual direção do sindicato da categoria, nos mantém reféns das fracassadas políticas de conciliação do último período.

Essa posição se afirma por uma profunda incompreensão do que é o Estado, assim, não se apanha este aparelho como a expressão das relações sociais de produção, bastaria, desse modo, que a grande maioria da população apoiasse um governo, à primeira vista, mais alinhado com as demandas populares e assim seria possível resolver as assimetrias entre governo e a população. Para além de não se buscar uma compreensão que abarque o contexto histórico, de passar longe do entendimento de uma categoria fundamental, ou seja, a ideologia, nega-se o movimento da formação da consciência de classe que avança e/ou recua de acordo com o grau de desenvolvimento da luta de classes. Assim, não se reflete porque trabalhadores apoiaram determinados projetos, amoldando-se em ideias contrárias aos seus próprios interesses e, muito menos, faz-se possível distinguir os trabalhadores desiludidos com últimos governos de conciliação dos reais inimigos de classe. Verificamos, nesta concepção, um posicionamento antipedagógico (diga-se de passagem, algo alarmante, sobretudo, tratando-se de trabalhadores da educação).

Neste sentido, é necessário mudar o ângulo da análise e nos perguntarmos: qual é a nossa responsabilidade neste conjunto de derrotas? Nesta trama, destacamos o aparelho sindical como essencial. Sabemos dos limites da luta sindical, expostos tão bem por Lenin[4], mas, ao mesmo tempo, não é possível negligenciar a sua importância histórica no desenvolvimento da luta de classes. Nas palavras de Lenin (1977, p. 294):

Os sindicatos representam um progresso gigantesco da classe operária nos primeiros tempos de desenvolvimento do capitalismo, uma vez que significavam a passagem da dispersão e da impotência dos operários aos rudimentos da união de classe. Quando a forma superior de união de classe dos proletários começou-se a desenvolver-se, o partido revolucionário do proletariado (que não merecerá este nome enquanto não souber ligar os líderes à classe e às massas em um todo único e indissolúvel), os sindicatos começaram a manifestar fatalmente certos traços reacionários, certa estreiteza gremial, certa tendência ao apoliticismo, certo espírito rotineiro, etc. Mas o desenvolvimento do proletariado não se realizou e nem podia realizar-se em nenhum país de outra maneira senão por meio dos sindicatos e por sua ação conjunta com o partido da classe operária.

Decerto, é possível notar, quando direções sindicais defendem determinadas posições empobrecidas, destaca-se, como citado acima, traços reacionários, estreiteza gremial, e uma certa tendência ao apoliticismo. Ao passo que não se pode atribuir exclusivamente o conjunto de derrotas da categoria as incipientes ações sindicais, ao mesmo tempo, não podemos deixar de estabelecer conexões. No último período, para além de ouvir que “a culpa é do Zema[5] ou “a culpa é de quem votou no Zema” (refletindo a posição simplificada de que bastaria ter votado em outro), obtivemos adesões insatisfatórias às paralisações, constatamos a incondicional aposta no poder judiciário – ignorando o seu conteúdo de classe –, observamos a tutela das demandas dos trabalhadores para determinados deputados, ou seja, o confinamento da luta de classes à via institucional.

Ora, não há como lutar apenas com as armas concedidas pelos inimigos, não se pode circunscrever o movimento ao burocratismo, pode-se, menos ainda, afastar as bases da direção. O que modifica a correlação de forças nas quadras mais difíceis da história é a pressão popular, é o movimento de massas, é a ação organizada dos trabalhadores e um sindicato legitimamente classista tem um papel preponderante nesta articulação. Neste sentido, a partir do verificado, é possível apanhar um dilema; por um lado, ou as forças políticas que hegemonizam a luta sindical dos trabalhadores da educação básica de Minas Gerais se fundamentam na ausência de táticas que estejam articuladas com qualquer estratégia concreta ou, por outro lado, se estabelece, entre esses companheiros(as), a crença otimista nas possibilidades da pequena política.[6].

No rol das ameaças já citadas, em boa medida, só foi possível frear, ainda que de forma momentânea”, o RRF pelo protagonismo da Frente Mineira em Defesa do Serviço Público, um agrupamento de várias entidades e movimentos sociais no qual estão inseridas organizações que não se pautam apenas pelas articulações palacianas, tampouco apostam todas as suas cartas em ações judiciais e, algumas delas, não costumam rifar a sorte dos trabalhadores entre os interesses dos deputados. A prática social deve ser encarada como artífice para a elaboração das nossas lutas, ou fazemos e refazemos autocrítica de forma constante das nossas ações, dando um giro no nosso aparelho sindical, radicalizando nossas ações, inserindo-se na batalha das ideias, conectando-se com outras categorias na busca por unidade, envolvendo a juventude, mediando o avanço da consciência de nossos companheiros(as) a partir de ações que devem ser construídas de baixo para cima, isto é, num total intercâmbio entre a base e a direção, ou, neste ano que começa, a categoria dos trabalhadores da educação básica de Minas Gerais estará fadada a colecionar mais derrotas.

 

Referências:

  1. I. LÉNINE. Obras Escolhidas de V. I. Lénine. Edição em Português da Editorial Avante, 1977, t3, pp 275-349. Traduzido das Obras Completas de V. I. Lénine; 5ª Ed. russo t.41 pp 1-104

 

[1] Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação.

[2] O Projeto Somar tem como objetivo transferir a administração de escolas estaduais para a iniciativa privada. É um claro movimento de drenar recursos públicos para iniciativa privada, além de intensificar a formação dos filhos da classe trabalhadora a partir de ideologias ultraliberais.

[3] Para Fernandes […] a democracia de cooptação tem como função a integração esterilizante das pressões dos de baixo, permitindo a articulação política “entre os mais iguais” em nova forma; promove, ao mesmo tempo, o consentimento das classes; pressupõe interesses-valores variados em conflito na cena política, a institucionalização do poder político excedente, abertura para os “de baixo”, para os movimentos de protestos, promovendo a manutenção de um capitalismo dependente bem como um sistema democrático restrito. Ver: FERNANDES, Florestan. A revolução Burguesa no Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.

[4] Ver: LENIN. Que fazer? Problemas candentes de nosso tempo. Expressão Popular, 2015.

[5] Vale lembrar o destaque que Marx fez no livro I d’O Capital: “De modo algum retrato com cores róseas as figuras do capitalista e do proprietário fundiário. Mas aqui só se trata de pessoas na medida em que elas constituem a personificação de categorias econômicas, as portadoras de determinadas relações e interesses de classes. Meu ponto de vista, que apreende o desenvolvimento da formação econômica da sociedade como um processo histórico-natural, pode menos do que qualquer outro responsabilizar o indivíduo por relações das quais ele continua a ser socialmente uma criatura, por mais que, subjetivamente, ele possa se colocar acima delas (2017, p. 115-116).

[6] A pequena política está relacionada a manutenção e/ou a legitimação das conexões de poder entre dirigentes e dirigidos, está prática estaria ligada a política cotidiana, das intrigas, dos jogos que se dão no interior dos palácios, apresentando-se sempre de forma parcial e por dentro de uma estrutura determinada. Ver: GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere. Vol. 3. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2013.

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Todo apoio e solidariedade à ocupação Maria do Arraial https://www.poderpopularmg.org/todo-apoio-e-solidariedade-a-ocupacao-maria-do-arraial/ https://www.poderpopularmg.org/todo-apoio-e-solidariedade-a-ocupacao-maria-do-arraial/#respond Tue, 01 Aug 2023 19:04:26 +0000 https://www.poderpopularmg.org/?p=76992 O post Todo apoio e solidariedade à ocupação Maria do Arraial apareceu primeiro em PCB/MG.

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O Comitê Regional do PCB em Minas Gerais vem manifestar seu apoio e solidariedade aos trabalhadores(as) que no último dia 28 de Julho, ocuparam um imóvel abandonado na região central de Belo Horizonte com o objetivo de transformar o espaço em um local destinado a moradias populares.

A crise social agravada com os efeitos da pandemia de Covid-19, ampliaram as condições de pobreza e desigualdade na sociedade brasileira, aumentando consideravelmente a quantidade de famílias que vivem em condições precárias nas ruas das grandes cidades devido ao aumento do desemprego e do custo de vida. Esse processo impactou as condições de existência das famílias mais pobres, principalmente nas grandes cidades, que sentem ainda mais essa contradição pela falta de políticas públicas para habitação, geração de emprego e renda, entre outros.

Os imóveis abandonados nos grandes centros urbanos só servem para a especulação imobiliária e muitos desses imóveis além de não cumprirem o seu sentido social, ainda possuem débitos tributários milionários que vão se acumulando ad infinito ou são o resultado da massa falida de empresas inadimplentes com suas obrigações com o INSS e a Justiça do trabalho.

O direito a moradia digna é um direito constitucional que deveria ser garantido a toda a população brasileira, em um país aonde há mais imóveis fechados do que gente nas ruas e que na prática alimenta cada vez mais a segregação com a população de rua, intensificando a violência e a discriminação social.

As ocupações são legítimas e necessárias para evidenciar esse descalabro social e a cumplicidade de governos locais com a especulação imobiliária e seus beneficiados.

O PCB manifesta seu apoio ao Movimento de Vilas, Bairros e Favelas e as demais organizações que estão resistindo na ocupação Maria do Arraial e soma-se em defesa da luta pela reforma urbana necessária para pôr fim ao déficit habitacional, em especial com as famílias mais pobres.

PCB-MG

Julho de 2023

Ocupação Maria do Arraial, no Centro de Belo Horizonte | Foto: Comunicação MLB

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Todo apoio à greve das trabalhadoras e trabalhadores terceirizadas/os da construção civil e das portarias da UFMG https://www.poderpopularmg.org/todo-apoio-a-greve-das-trabalhadoras-e-trabalhadores-terceirizadas-os-da-construcao-civil-e-das-portarias-da-ufmg/ https://www.poderpopularmg.org/todo-apoio-a-greve-das-trabalhadoras-e-trabalhadores-terceirizadas-os-da-construcao-civil-e-das-portarias-da-ufmg/#respond Wed, 04 Jan 2023 15:56:35 +0000 https://www.poderpopularmg.org/?p=76881 O Partido Comunista Brasileiro, a União da Juventude Comunista, a Unidade Classista e o Movimento por uma Universidade Popular manifestam […]

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O Partido Comunista Brasileiro, a União da Juventude Comunista, a Unidade Classista e o Movimento por uma Universidade Popular manifestam apoio à organização e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras da construção civil e das portarias da UFMG – trabalhadores terceirizados da Conservo – pela garantia dos seus direitos: recebimento de salário e melhores condições de trabalho na UFMG.

Desde o dia 13 de dezembro, os trabalhadores estão em greve pelo não recebimento de salários e benefícios garantidos em contrato entre a Reitoria e a empresa terceirizada. A categoria tem se mobilizado em atos diários conduzidos pelo sindicato da Construção Civil nas portarias do campus Pampulha e nas unidades da Universidade pressionando os responsáveis pela Conservo por respostas sobre a situação da empresa e pelo imediato pagamento dos salários e benefícios atrasados.

As lutas das trabalhadoras e trabalhadores terceirizadas/os da construção civil e das portarias da UFMG é um movimento de resistência e enfrentamento da classe trabalhadora ante os recentes cortes e contingenciamentos dos repasses financeiros assumidos pelo governo neoliberal de Bolsonaro e Mourão às universidades públicas; das decisões da Reitoria da UFMG em burocratizar o pagamento dos contratos de sua força de trabalho; e ainda da empresa Conservo em surrupiar os salários e benefícios trabalhistas das categorias.

Durante os últimos anos, as universidades brasileiras sofreram diversos cortes e contingenciamentos, sendo o mais recente de montante aproximado de 1,6 bilhão de reais (R$ 1.600.000.000) do MEC. Além disso, ano a ano, o nefasto Teto de Gastos vem impondo cada vez mais limites à educação superior e aos direitos sociais da classe trabalhadora. Ambos os ataques são responsáveis pelo sucateamento da educação pública e representam, em última instância, um projeto privatizante de Universidade. Estes problemas se tornam ainda maiores quando as próprias Administrações das Universidades se subsumem às engrenagens que dão movimento ideológico e material para o capital se reproduzir nas suas estruturas.

Os desdobramentos das políticas neoliberais de precarização do trabalho e da vida, como o teto de gastos, a Reforma Trabalhista e a Reforma Previdenciária, são evidentes na realidade da Universidade. As mobilizações simultâneas dos terceirizados, exigindo seus salários, e de estudantes trabalhadores, exigindo o pagamento das bolsas após o contingenciamento de verbas do MEC, sinalizam que é momento de lutar com unidade, tendo como reivindicação central a revogação das políticas neoliberais de precarização do trabalho nos serviços públicos.

Hoje, a UFMG tem diversos contratos com empresas terceirizadas que são responsáveis pela manutenção e organização da nossa Universidade. Da limpeza à segurança; das reformas à construção; da pintura e iluminação ao paisagismo, trabalhadoras e trabalhadores são contratados sob o tacão de ferro da precarização. Elas/Eles não têm voz nos espaços de deliberação da Universidade ou reconhecimento enquanto parte da comunidade interna acadêmica. As trabalhadoras e os trabalhadores terceirizados, além de direitos suprimidos, sofrem violências e abusos diários de seus empregadores, quase sempre, invisibilizados pela Universidade. Isso se evidencia na relação recente da empresa Conservo com o pessoal da construção civil e portaria. Além das denúncias de assédio moral no trabalho por supervisores também terceirizados, esta empresa não pagou salários e fugiu das negociações com o Sindicato da categoria. Ousadia maior foi a Conservo ameaçar decretar situação de falência no limite das necessidades das trabalhadoras e trabalhadores.

Defendemos uma Universidade que seja voltada verdadeiramente às necessidades da classe trabalhadora: pública, gratuita, inclusiva, de qualidade e de reconhecimento de classe; livre das terceirizações ou de quaisquer outras formas de exploração da força de trabalho das frações estudantis, de professores e de técnicos.

Mobilizar as nossas forças para a composição das lutas, neste momento, em aliança com sindicatos e organizações independentes das categorias terceirizadas, para a garantia do pagamento dos salários e benefícios confiscados dos trabalhadores e trabalhadoras da UFMG, é tarefa imediata e fundamental para avançarmos nas lutas gerais da classe trabalhadora.

Enquanto houver terceirização na UFMG, haverá organização e resistência de estudantes, técnicos administrativos e professores com a classe trabalhadora organizada contra os ataques aos seus direitos.

Pela responsabilidade direta da UFMG e da Conservo no pagamento imediato dos salários e benefícios das trabalhadoras e trabalhadores!

Pelo fim das terceirizações!

Todo o Poder à classe trabalhadora!

Unidade Classista, futuro socialista!

Por uma Universidade Popular! Pelo Poder Popular!

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Expandir sem privatizar: contra a privatização do metrô de BH https://www.poderpopularmg.org/expandir-sem-privatizar-contra-a-privatizacao-do-metro-de-bh/ https://www.poderpopularmg.org/expandir-sem-privatizar-contra-a-privatizacao-do-metro-de-bh/#respond Fri, 23 Dec 2022 19:44:06 +0000 https://www.poderpopularmg.org/?p=76893 Ignorando as reivindicações e a mobilização da classe, o governo Zema efetuou, no dia 22 de dezembro, o leilão do […]

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Ignorando as reivindicações e a mobilização da classe, o governo Zema efetuou, no dia 22 de dezembro, o leilão do metrô de Belo Horizonte, concedendo-o à iniciativa privada. Pelo valor irrisório de R$ 25,7 milhões, o Grupo Comporte adquiriu a concessão do governo estadual para gerir o transporte público da região metropolitana pelos próximos 30 anos.

Para resistir a este ataque, durante todo o ano de 2022 os metroviários mineiros se mobilizaram contra a privatização, entendendo que esta significa o enfraquecimento dos direitos trabalhistas, o encarecimento do transporte e a priorização dos lucros, em detrimento da mobilidade. Apesar disso, a vitória do projeto privatista se deu com a anuência de Geraldo Alckmin, líder da equipe de transição do governo federal.

A questão da mobilidade urbana está diretamente ligada ao direito à cidade, bandeira central para os comunistas e para toda a classe. De forma imediata, é fundamental garantir a todas as trabalhadoras e os trabalhadores o acesso ao trabalho, aos serviços públicos e ao lazer. Um jovem trabalhador da região metropolitana deve ter o direito de acessar, por exemplo, o parque municipal no centro da cidade, sem grandes dificuldades. Assim como deve ser capaz de acessar o campus da UFMG, maior universidade federal do estado, na região da Pampulha.

Compreendemos o direito à cidade, para muito além do mero acesso, como a participação e a transformação do espaço público sem limites mercadológicos, com o trabalhador agindo sob sua autonomia em uma sociedade sem a divisão por classes.

A periferização e a exclusão dos sujeitos das cidades é um movimento concreto do capitalismo, principalmente em sua forma neoliberal de acumulação. O transporte sequer deveria ser mercantilizado e muito menos os trabalhadores subtraídos dos seus direitos de transitar e de intervir.

Isto posto, sabemos que não basta uma gestão pública para que as contradições desapareçam. Sendo a segregação do espaço urbano um fenômeno próprio do capitalismo, independente do processo de privatização, a classe trabalhadora das periferias belorizontinas tem sido apartada da cidade. Atualmente, o metrô de Belo Horizonte é inacessível para a maior parte da população, tendo em vista a existência de uma única linha, que corre a distância entre algumas poucas estações. A expansão e ampliação das linhas do metrô é uma demanda urgente.

Os defensores da concessão alegam que a expansão das linhas de forma a ampliar o acesso de trabalhadores ao transporte seria impossível sem a entrega do metrô para a iniciativa privada. Esta defesa, porém, não se sustenta quando confrontada pela própria realidade. Para as obras de ampliação, está previsto o investimento público de R$ 3,6 bilhões, enquanto apenas R$ 240 milhões serão investidos pela empresa vencedora do leilão. Deste modo, a privatização não desonera o estado, mas retira a possibilidade de participação pública dos espaços decisórios.

É também mentiroso afirmar que o setor privado possui melhor capacidade de administração dos recursos. Fosse esta uma preocupação real, a responsabilidade não estaria sendo entregue ao Grupo Comporte, que em seus 20 anos de existência, nunca geriu quaisquer serviços de transporte metroviário. O metrô do Rio de Janeiro nos dá um exemplo de como tal argumento está falido: após duas décadas de privatização, a classe trabalhadora carioca enfrenta as consequências do sucateamento, do isolamento das regiões periféricas e do aumento de mais de 1.000% dos preços das tarifas.

A não-expansão do metrô de Belo Horizonte pela administração pública não é consequência de uma suposta incapacidade ou ineficiência do estado, mas representa a escolha política de sucatear os serviços públicos para posterior entrega destes à iniciativa privada. O patrimônio do metrô, com custo estimado em R$ 2 bilhões, foi entregue por apenas 1% do seu valor, cerca de R$ 25,7 milhões. O condicionamento da expansão do metrô à privatização não passa de uma desculpa covarde para o roubo a céu aberto efetuado nesse leilão.

A privatização não traz para a classe trabalhadora quaisquer avanços na sua luta pelo acesso e pelo direito à cidade. Pelo contrário, ela aprofunda o cenário de segregação e periferização, piorando as condições do transporte para os setores mais pauperizados e precarizando o trabalho dos metroviários.

Os comunistas repudiam este ataque do governo Zema, em conluio com o governo Bolsonaro e a burguesia nacional, e a concordância tácita do governo eleito. A UJC seguirá lutando junto às trabalhadoras e trabalhadores do metrô contra toda forma de privatização e pela estatização de todo o transporte público!

EXPANSÃO SEM PRIVATIZAÇÃO!

TODO APOIO À LUTA DOS METROVIÁRIOS!

EM DEFESA DO DIREITO À CIDADE!

Coordenação Estadual da União da Juventude Comunista – Minas Gerais

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Publicada 2ª edição do livro “NERES! DA LUTA CONTRA A DITADURA À RECONSTRUÇÃO DO PCB” https://www.poderpopularmg.org/livro-neres-segunda-edicao/ https://www.poderpopularmg.org/livro-neres-segunda-edicao/#respond Tue, 25 May 2021 12:40:15 +0000 https://www.poderpopularmg.org/?p=75422 PABLO LIMA

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Acaba de ser publicada a segunda edição do livro Neres: da luta contra a ditadura à reconstrução do PCB, organizado pela historiadora Paloma Silva e pelo historiador Pablo Lima, pesquisadores do Instituto Caio Prado Jr. em Minas Gerais, em parceria com a editora Raízes da América, de São Paulo.

O livro é resultado de dez anos de pesquisas sobre a história de vida do comunista José Francisco Neres, 86 anos, militante da célula da Velha Guarda do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em Belo Horizonte. Filho da classe trabalhadora e da população negra, em sua juventude e início da vida adulta Neres foi jogador de futebol, tecelão, liderança sindical. Filiou-se ao PCB em 1961 e foi eleito vereador em Sabará em 1962, onde exerceu seu mandato em defesa dos interesses da classe trabalhadora.

Aí veio o Golpe Militar de 1964. Neres teve seu mandato cassado, perdeu o emprego e foi preso por 11 dias. Continuou a militância no contexto tenebroso da Ditadura Militar, Terrorista e Assassina (1964-1989) que se abateu sobre o país. Em 1976, no auge da repressão, Neres foi sequestrado e preso novamente, desta vez por 2 anos, 10 meses e 8 dias, sendo submetido a diversos tipos de tortura. Foi alvo da Operação Bandeirantes, um mecanismo de repressão ilegal, porém institucionalizado, dentro do Estado brasileiro. Na prisão, Neres e outros militantes também organizaram a resistência, realizando greves de fome e conseguindo passar as condições desumanas às quais estavam submetidos aos veículos de comunicação mais progressistas. Em 1979, Neres foi o último preso político libertado em Minas Gerais no contexto da Anistia.

Na década de 1980, Neres retomou a militância, organizando o jornal União Sindical e reconstruindo o PCB. Após a crise no sistema socialista soviético (1989-1991) e o racha no Partidão (1992), Neres manteve-se firme no PCB, que conquistou seu registro eleitoral definitivo em 1996. Desde este período, Neres tem uma intensa militância no movimento de ex-perseguidos e anistiados políticos do movimento sindical em Minas Gerais.

A primeira edição do livro saiu em novembro de 2019, com apenas 100 exemplares. Todos foram vendidos e muito bem recebidos pelo público. Em 2020, José Francisco Neres financiou, com seus próprios recursos, uma segunda edição de 400 exemplares, revista e ampliada, que acaba de ser publicada em abril de 2021. O livro conta com dois capítulos autobiográficos escritos por Neres, um prefácio de Ivan Pinheiro, e outros capítulos de Fábio Bezerra, Fernando Gautereto Lamas, Igor Dias Domingues de Souza, Milene Lopes Costa, Pablo Lima, Paloma Silva e Túlio César Dias Lopes, cobrindo a história de Neres como jogador de futebol, sindicalista e militante comunista nas últimas seis décadas de história do Brasil. A diagramação é assinada pelo artista gráfico e designer Julião Villas, com revisão de língua portuguesa pela professora Andrea Lima. A produção editorial foi feita por Gabriel Landi, em São Paulo. O PCB agradece a todas e todos que construíram esta obra e convida o público a conhecer a história do movimento sindical e comunista em Minas Gerais por meio da trajetória e militância política de José Francisco Neres.

O livro está à venda por R$ 36,00. Interessados devem enviar mensagem de whatsapp ou sms para (31)99298-2916 para combinar a forma de pagamento e informar o endereço para postagem ou outra forma de entrega.

Leia alguns trechos da obra:

Neres foi de quase tudo um pouco: jogador de futebol, operário, parlamentar, músico, eletricista, jornalista de fato. Mas, antes de tudo, sempre um comunista. Habilidoso, gentil e carismático nas relações pessoais, o camarada atuava entre o proletariado e no ambiente sindical como um peixe dentro d’água. Preso político durante três anos, foi o último mineiro a sair dos cárceres da ditadura, em março de 1979, reintegrando-se imediatamente à militância. (Ivan Pinheiro)

As trajetórias da militância são fundamentais não apenas para se conhecer o movimento da atuação concreta na realidade, mas também para se construir as mudanças do estado de coisas na sociedade brasileira. Nesse sentido, o exemplo de vida e militância de José Francisco Neres leva à reflexão sobre os percalços e avanços das lutas sindicais e populares em Minas Gerais e no Brasil. (Pablo Lima e Paloma Silva)

No capítulo Porque sou Comunista, José Francisco Neres registra sua trajetória de vida pessoal e os movimentos que o levaram à consciência de sua condição de filho da classe trabalhadora, como jogador de futebol, militante sindical e sua entrada para o PCB em agosto de 1961. (…) Em O Golpe de 1964 e Luta Contra a Ditadura Militar, o próprio Neres relata o cotidiano de perseguição e repressão (…). Em Fatos e situações: a perseguição do SNI contra Neres durante a Ditadura Militar, Terrorista e Assassina (1964-1989), Pablo Lima analisa a Certidão 6280 fornecida pela Agência Brasileira de Inteligência a Neres em 2003, que contém os registros sobre ele nos arquivos deste órgão fundado na Ditadura como Serviço Nacional de Informações (SNI). Uma leitura crítica do documento permite constatar a permanência do aparato de repressão, monitoramento e perseguição de comunistas após a Anistia, em 1979, durante a década de 80 e mesmo após a Constituição de 1988, evidência da continuidade das estruturas fascistas e ditatoriais no Estado brasileiro. (…) Em Memórias de um sindicalista, Milene Lopes Costa narra a trajetória político-ideológica de José Francisco Neres, sindicalista e preso político durante a ditadura militar-civil brasileira. (…) Em A relação entre futebol e sindicalismo em Minas Gerais nas décadas de 1950 e 1960, Fernando Gaudereto Lamas foca especificamente o início da trajetória sindical de Neres. Analisa a íntima relação que havia entre lazer e sindicalismo, abordando nomeadamente a relação entre a prática do futebol e o sindicalismo (…). Em Neres e o VI Congresso do PCB: organizar as massas contra a ditadura pela base, Igor Dias Domingues de Souza, examina a atuação do PCB nas Organizações de Base durante os anos de 1964 a 1968 (…). Em Neres e os valores e convicções da moral comunista, Fábio Bezerra narra episódios vividos com José Francisco Neres que marcaram sua militância e também são significativos para o PCB nesses últimos anos. O último capítulo, de Túlio Lopes, intitulado Neres: persistente e sempre presente na luta!, é dedicado à militância de Neres durante as últimas décadas no campo dos direitos humanos e da luta pela verdade e justiça em relação aos crimes cometidos pela Ditadura Militar e pelo Estado brasileiro contra cidadãos, por motivos políticos. (Pablo Lima e Paloma Silva)

 

 

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Comunistas saem das eleições com a cabeça erguida. Destaque é Ipatinga https://www.poderpopularmg.org/comunistas-saem-das-eleicoes-com-a-cabeca-erguida/ https://www.poderpopularmg.org/comunistas-saem-das-eleicoes-com-a-cabeca-erguida/#respond Tue, 01 Dec 2020 13:22:52 +0000 https://www.poderpopularmg.org/?p=75333 LEONARDO GODIM

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Daniel Cristiano, na porta da Usiminas, em Ipatinga, agradece os votos ao PCB

De Leonardo Godim para o Poder Popular MG.

Ontem, dia 29 de novembro, deu-se fim ao segundo turno das eleições municipais de 2020. O PCB, que participou das eleições com candidaturas em Belo Horizonte, Betim, Sabará, Ipatinga, Uberaba e Juiz de fora, aglutinou 5794 votos em chapas próprias do PCB em todo o estado. O destaque é Ipatinga, onde a chapa dos comunistas alcançou 3521 votos. Em Juiz de Fora, o partido declarou, no segundo turno, apoio à candidatura de Margarida Salomão (PT), que saiu vitoriosa contra o empresário Wilson Rezato (PSB).

O resultado eleitoral no estado de Minas Gerais confirma a tendência nacional de fortalecimento dos partidos de direita e centro-direita. A composição das Câmaras Municipais segue a mesma direção, acentuada pela nova legislação que impede coligações nas eleições para o parlamento, diminuindo a força dos pequenos partidos no legislativo. Os trabalhadores mineiros, dessa forma, deverão se preparar para anos de duras lutas contra a investida da burguesia em sua contrarreforma do Estado, projeto que vê grande espaço nos partidos burgueses fisiológicos, comumente chamados de “centrão”.

O bolsonarismo, apesar de não ter arrastado nessas eleições tantos votos quanto em 2018, também não deve ser subestimado. Cidades estratégicas, como Ipatinga e Betim, ficaram na órbita do presidente, a primeira com um candidato projetado por Bolsonaro e o segundo com um candidato cujo partido, o PSD, faz parte do compromisso entre o governo federal e o “centrão”, cujo preço foi a concessão de cargos no governo.

Apesar da derrota de um projeto alternativo à reacionária contrarreforma do Estado, as eleições também sinalizam um amadurecimento da esquerda socialista no terreno eleitoral. Em Ipatinga, cidade onde o PCB tem seu melhor desempenho nas eleições em nível nacional, o grande mérito do partido foi apresentar novos nomes e aglutinar uma base mais ampla para a construção do Bloco do Poder Popular. Em Belo Horizonte, a chapa composta por PCB, UP e PSOL alcançou 103.115 votos na eleição para prefeitura, ficando na quarta posição, com uma votação expressiva dos respectivos partidos também nas eleições proporcionais.

Daniel Cristiano, candidato a vereador de Ipatinga, afirma que

“o PCB avaliou a grandeza da militância de Ipatinga, que se colocou a disposição tanto na chapa majoritária, com Diego Arthur e Bruno Anastácio, quanto a importância das mulheres, aposentados, trabalhadores informais, professores e professoras que se colocaram à disposição [de construir] a chapa proporcional”.

Segundo Daniel, que foi o segundo vereador mais votado da cidade mas não foi eleito, o partido avalia que uma chapa completa, com militantes convictos, poderá construir os votos necessários para atingir o quociente eleitoral e eleger legítimos representantes dos trabalhadores e trabalhadoras para o parlamento municipal de Ipatinga em um próximo momento.

“Para o próximo período – afirmou o secretário político do PCB Ipatinga, Daniel Cristiano –, [nossa tarefa] é continuar a inserção nos movimentos populares, sindicais, esportivos e culturais, para que o partido cresça cada vez mais e para que possamos amplificar a ressonância das pautas do conjunto da classe trabalhadora”.

Com esse direcionamento, o partido buscará atravessar a conjuntura sombria que assola o país e fortalecer a luta da classe trabalhadora rumo ao poder popular e o socialismo.

As eleições do dia 15 de novembro em Ipatinga foram conturbadas. Diversas denúncias de boca de urna foram feitas por fiscais que trabalharam nas eleições. Esse ano, segundo um dos fiscais presentes, esse tipo de atividade ilegal não foi em nada combatida, seja pelo poder judiciário, seja pela polícia. Em diversos momentos os agentes públicos que poderiam ter intervido – visto que a boca de urna é crime – foram alertados, mas a resposta foi nula, levantando questionamentos sobre a conivência destes agentes públicos com o crime eleitoral.

Em Belo Horizonte, a chapa do Partido Comunista Brasileiro recebeu 1052 votos, com destaque para Diego Miranda e Marianna Versiani, jovens comunistas que participaram das eleições pela primeira vez e receberam juntos 675 votos. Mesmo sem eleger um tribuno popular para o parlamento, o PCB  fortaleceu seu diálogo com diferentes setores da cidade através de suas 10 candidaturas, como estudantes, professores, aposentados, trabalhadores do transportes, torcidas antifascistas, mulheres operárias e a classe trabalhadora como um todo.

Em Sabará e Juiz de Fora, o partido lançou duas candidaturas para o legislativo, as do Professor Luis Fernando e a de Patrick, e compôs a chapa majoritária com o PSOL. Em Betim, além do candidato a vereador Amaury Alonso, apresentou a candidatura de Zulu para prefeitura da cidade. Já em Uberaba, foram duas candidaturas nas eleições proporcionais, com Brenda e Beto. Expandir a participação do PCB na vida política das cidades para todas as regiões de Minas Gerais é um dos objetivos do partido neste momento.

Com esse resultado, cabe aos comunistas manter a cabeça erguida e a firmeza nas fileiras do partido e se prepararem para as próximas lutas, partindo de todo acumulo histórico dos comunistas de luta e de defesa do socialismo. Com a inserção nos movimentos operário, popular e cultural, fortalecendo os instrumentos de luta da classe trabalhadora e se preparando para as batalhas decisivas, o PCB poderá contribuir para as mudanças revolucionárias que o Brasil exige e para o desenvolvimento histórico da humanidade até o socialismo.

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PCB assina carta da campanha “Petrobrás Fica em Minas” https://www.poderpopularmg.org/pcb-assina-carta-da-campanha-petrobras-fica-em-minas/ https://www.poderpopularmg.org/pcb-assina-carta-da-campanha-petrobras-fica-em-minas/#respond Fri, 06 Nov 2020 22:29:41 +0000 https://www.poderpopularmg.org/?p=75286 LEONARDO GODIM

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Amaury Alonso (21.123) é candidato a vereador pelo PCB em Betim e fala sobre a importância de defender a Petrobrás em MG

A Refinaria Gabriel Passos da Petrobrás em Betim está na mira das privatizações do governo federal, como já relatado em matéria do Poder Popular MG. Neste momento, a privatização está paralisada por decisão do STF, que avalia um processo contra a venda das refinarias sem que a decisão passe pelo legislativo. Enquanto o governo federal tenta a qualquer custo vender o patrimônio brasileiro por trás dos panos, os petroleiros da REGAP levantam a campanha “Petrobrás Fica em Minas”, com uma carta-compromisso para os candidatos à eleições municipais.

A carta afirma que “a privatização da REGAP é o primeiro passo para a saída completa da Petrobrás do estado de Minas Gerais, que conta também com a Usina de Biodiesel Darcy Ribeiro, em Montes Claros, e Usinas Termelétricas, em Ibirité e Juiz de Fora – outras unidades em processo de venda pela estatal. Inaugurada em 1968, a REGAP é a maior unidade da Petrobrás em Minas Gerais e é responsável por, aproximadamente, 7% da capacidade de refino do Brasil, capaz de suprir o estado de Minas Gerais e, ocasionalmente, o estado do Espírito Santo.”

“Atualmente, a REGAP é a maior recolhedora de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do estado de Minas Gerais (R$ 9,1 bilhões em 2018) e da cidade de Betim (cerca de 56% da arrecadação do município). A unidade emprega cerca de 800 trabalhadores próprios e 1200 terceirizados, além de uma extensa cadeia empregos indiretos”, destaca o documento, assinalando os graves impactos da privatização para o estado.

O Partido Comunista Brasileiro, através de suas candidaturas, assina esse compromisso de defender a Petrobrás no estado de Minas Gerais hoje e sempre. Seguindo o exemplo histórico dos comunistas brasileiros que participaram ativamente da campanha “O Petróleo É Nosso” na década de 1950, o PCB se mantém ao lado dos trabalhadores da empresa e de todo povo trabalhador brasileiro na defesa desse que é um dos maiores patrimônios do país.

Amaury Alonso (21.123), candidato a vereador pelo PCB em Betim, avalia que a privatização da refinaria tende a afetar gravemente a cidade e gerar uma redução nos postos de trabalho, visto que uma das primeiras medidas da empresa que assume, em casos como estes, é a redução dos custos de produção. Amaury e Zulu (21) – candidato a prefeito pelo PCB em Betim – estão usando esse momento de debate público sobre os rumos da cidade para discutir a defesa da refinaria e denunciar esse crime de lesa-pátria que está sendo cometido pelo governo federal e pela atual direção da empresa.

O PCB em Betim participa do grupo de apoio aos petroleiros desde a greve que ocorreu no começo desse ano, tendo participado de manifestações e ações de apoio. É no apoio às lutas dos petroleiros que o partido assume seu compromisso, todos anos, e não só nas eleições. A Unidade Classista, corrente sindical do PCB, participa da luta sindical dos petroleiros e entende que a defesa do monopólio estatal do petróleo, sem concessões e sem o fatiamento da empresa, é uma batalha que deve ser travada por todos os trabalhadores do país.

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Emanuel Bonfante, velha-guarda dos comunistas, lança pré-candidatura a vereador de BH https://www.poderpopularmg.org/emanuel-bonfante-velha-guarda-dos-comunistas-lanca-pre-candidatura-a-vereador-de-bh/ https://www.poderpopularmg.org/emanuel-bonfante-velha-guarda-dos-comunistas-lanca-pre-candidatura-a-vereador-de-bh/#respond Thu, 10 Sep 2020 13:01:13 +0000 https://www.poderpopularmg.org/?p=74875 LEONARDO GODIM

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Leonardo Godim para O Poder Popular.

Ex-aluno de Engenharia na União Soviética e dirigente sindical do SINTAPPI-BH, Bonfante une na sua história as velhas gerações de comunistas com as atuais lutas dos trabalhadores por um novo projeto de sociedade. Foto: Ana Vieira.

Com 62 anos de militância nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro, Emanuel Bonfante aceita a tarefa de ser pré-candidato a vereador de Belo Horizonte. Emanuel chega a esta eleição com uma larga experiência de vida e luta. Trabalhou como agente de trânsito de Belo Horizonte por muitos anos, se tornou dirigente sindical do SINTAPPI-MG, foi presidente do Centro Cultural Brasil-União Soviética, trabalhou nas principais obras de engenharia do país, foi Diretor de Controle Urbano da Regional Nordeste da Prefeitura de Belo Horizonte e trabalhou na Secretaria Municipal de Atividades Urbanas de Belo Horizonte. Mas a riqueza de seu caráter e firmeza ideológica ultrapassa seu currículo.

Em sua vida, Bonfante conheceu tanto a vastidão do Brasil, seu atraso e deficiências estruturais, quanto a experiência socialista da União Soviética, que levou um país repleto destes mesmos atrasos à condição de potência científica e tecnológica, com pleno emprego, moradia digna, florescimento de universidades e institutos técnicos e amplo acesso à cultura. Estudou na Universidade dos Povos Patrice Lumumba, em Moscou, entre 1962 e 1968, formando-se Engenheiro de Minas e Energia com Mestrado em Gás e Petróleo. Formado, voltou ao Brasil no auge da ditadura militar e, lutando contra a repressão, viu familiares torturados pelo Exército e amigos próximos que nunca voltaram dos porões.

Emanuel mostrou com olhos marejados suas antigas fotos na URSS, afirmando ter vivido ali os melhores anos de sua vida. Entre os amigos e familiares do álbum estão vitimas da ditadura militar brasileira.

Bonfante, como toda velha-guarda comunista, é um símbolo da resistência obstinada de homens e mulheres que lutaram pela democracia no Brasil e foram perseguidos, humilhados, torturados ou até assassinados pelo regime militar. Com seriedade, sem poupar-nos das verdades, falou que só evitou as “entrevistas” dos gorilas pela característica de seu trabalho, que o fazia viajar constantemente. Seus camaradas, entre eles seu irmão mais velho, não tiveram a mesma sorte. Esses crimes da ditadura, alguns nunca relevados, devem permanecer na memória brasileira para que nunca mais se repita, para que nunca mais aconteça.

Seria um equívoco confundir sua experiência de vida com quaisquer conservadorismos. Casado há 36 anos, Emanuel Bonfante é um dos fundadores do Coletivo LGBT Comunista em Belo Horizonte e marcha ao lado dos jovens comunistas que buscam compreender a relação da opressão que sofre a população LGBT com as estruturas do capitalismo e sua ideologia machista e conservadora. Em um período onde sua orientação era ainda pouco aceita, mesmo entre seus camaradas, Bonfante se assumiu homossexual e uniu em sua luta a causa do socialismo e a luta contra o machismo e a LGBTfobia.

Emanuel Bonfante é, por esses e tantos outros motivos, uma peça chave da bancada dos comunistas para as eleições municipais deste ano. Viu com os próprios olhos o surgimento das políticas neoliberais no mundo e a terra arrasada que o Brasil tem se tornado com políticas anti-nacionais, anti-populares e anti-democráticas do neoliberalismo. Por isso, defende irrestritamente uma política popular de garantia do emprego e dos direitos básicos de todo ser humano, como acesso à moradia digna, alimentação, educação de qualidade e saúde pública. Sabe que esta “utopia” não é só possível como é uma necessidade imediata, um direito. É, parafraseando o cantor chileno vítima da ditadura militar de seu pais, Victor Jara, o direito de viver em paz.

Na sua casa, guarda uma coleção de cartazes de filmes antigos sobre a Segunda Guerra Mundial. Emanuel faz questão de lembrar que foram os comunistas que derrotaram o nazi-fascismo, um fato histórico que o pensamento liberal tem procurado todas formas possíveis de apagar da consciência popular.

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Zema e o Vestíbulo do Inferno https://www.poderpopularmg.org/zema-e-o-vestibulo-do-inferno/ https://www.poderpopularmg.org/zema-e-o-vestibulo-do-inferno/#respond Tue, 14 Jul 2020 16:11:38 +0000 https://www.poderpopularmg.org/?p=74726 IGOR DOMINGUES

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Igor Domingues*

Eis veio a nós em barca se acercando

De cãs coberto um velho – “Ó condenados,

Ai de vós!” – alta grita levantando.

“O Céu nunca vereis, desesperados:

Por mim à treva eterna, na outra riva,

Sereis ao fogo, ao gelo transportados. [1]

Chegamos à metade do ano de 2020. Há poucos dias, em 25 de junho, o primeiro caso de Covid-19 completou 4 meses de sua detecção em São Paulo. Muitas confirmações de casos depois podemos afirmar que o medo socialmente disseminado pelo escalonamento da pandemia no país encontrou o irracionalismo da flexibilização adotada diante das medidas sanitárias de segurança, levando, gradualmente, a uma dessensibilização à realidade imposta aos trabalhadores, mas não somente.

Ocorre que, mesmo nessa particular conjuntura, o aparato estatal, expresso em suas forças de repressão (as polícias), age em seu modus operandi historicamente atestado em nosso país: o massacre à população periférica, majoritariamente negra. Casos emblemáticos cabem mais uma vez serem ressaltados. No estado do Rio de Janeiro, temos o assassinato de João Pedro (que completaria 15 anos neste 24 de junho), dentro de sua casa no Salgueiro em 18 de maio, e o de João Vitor, assassinado durante entrega de cesta básicas na Cidade de Deus em 20 de maio. Em São Paulo, temos o sequestro e assassinato de Guilherme, em 14 de junho na rua de sua casa na Zona sul da capital paulista.

Tomando por base os dados do ministério da saúde em 6 de julho, a região Sudeste lidera em números absolutos a pandemia, atingindo a marca de 559.122 casos e 29.900 mortes, o que corresponde, de forma aproximada, a 34% e 44,6%, respectivamente [2]. Aparentemente, o estado de Minas Gerais demonstra dados pouco alarmantes, tendo em vista possuir o menor número de casos e óbitos acumulados na região, no entanto, a maré mansa esconde a força das correntes que se arrastam nas profundezas. 

Em 28 de abril, o governo Zema lançou o programa “Onda Consciente” de reabertura do comércio [3]. Porém, o crescente de casos decorrente da adoção das medidas de flexibilização no estado nos demonstra um cenário amedrontador. Se no início do mês de junho o estado de Minas Gerais se encontrava entre os que menos realizavam testes, utilizando-se apenas de 6% da capacidade de testagem [4], ao fim do mesmo mês já se encontrava liderando o macabro ranking, utilizando-se entre 2% e 4% da capacidade de testagem no estado, realizando 155 testes/dia [5]. Em pronunciamento no dia 24 de junho Zema, na contramão da racionalidade, afirma a improbabilidade de decretar lockdown, relegando às prefeituras o poder de decisão [6], como se afirmasse:

“Deixai, o vós, que entrais toda a esperança!” [7]

Apesar de não exercer controle direto sobre os grandes meios de comunicação, como a família Neves [8], Zema tem o apoio dos mesmos por meio da parcela empresarial da burguesia, que abafa a disseminação das medidas impopulares do governo estadual. Cria-se assim uma cortina de fumaça onde antes se encontrava uma nuvem de pó, nesse truque, porém não é o mágico que desaparece, mas os direitos duramente conquistados.

Se Zema foi eleito sob a legenda Novo, não poderia ser mais velha a farsa democrática/republicana presente na tradição política mineira. O coronelismo marcante da Republica Velha, cunhado na política do “café com leite” é argamassa com que se erguem as estruturas políticas mineiras, não tendo sido superado, mas mascarado com as brumas do tempo, até o tempo presente. Minas Gerais, estado com o maior número de municípios (832 ao todo), tem por tendência concentrar o poder político nos membros das grandes famílias das pequenas cidades. Os modernos coronéis podem ser até mais carismáticos que aqueles da Primeira República, mas fato é que detém as rédeas para fazer dos seus interesses a política estadual, sejam fazendeiros, industriais ou atacadistas, como Vossa Excelência.

Se por um lado a caquética tradição política persevera, o faz qual cobra em tentação pelo fruto proibido. Zema se aquieta, furtando-se das polêmicas com o governo federal, como fizeram João Dória e Ronaldo Caiado, compreendendo que nesse momento, mais que ganhar a antipatia da base bolsonarista caso o faça, pode novamente aparecer como um suposto moderado nas próximas eleições estaduais. O cretinismo parlamentar enquanto traço tipicamente republicano, se demonstra não apenas pelos personagens protagonizando a cena, mas também, e, em certa medida, essencialmente, pelos supostos coadjuvantes, cuja figura lentamente se constrói na sombra das coxias.

Devemos recordar que ao Bonaparte brasileiro também se faz necessária sua Sociedade 10 de Dezembro. O golpe dentro do golpe cuja efetivação deu-se debaixo de nossos narizes foi arquitetado, consentido e executado pelos governos dos estados, antes que pudesse sê-lo a nível nacional. 

Bolsonaro teve, no segundo turno do pleito, o apoio de 15 dos 27 governadores eleitos em 2018 – nos estados de Espírito Santo, Tocantins e Pará, os candidatos eleitos se abstiveram de posicionamento e nos 9 estados da região Nordeste, apoiaram Haddad [9] – demonstrando o compromisso político assinado a letra miúda enquanto se transmitia pelas redes sociais o tosco, porém grandiloquente, projeto para a nação brasileira: então já se declarava estarmos de frente para um abismo, pressionados pela atual crise econômica e pela crise política brasileira, portanto, a composição do governo seria dos setores mais avançados da burguesia, subordinada ao imperialismo estadunidense, e seus mais entusiastas lacaios, sediados em suas frações estaduais, permitindo assim que déssemos um passo em diante.

Devemos ressaltar que não é pura e simplesmente sua eleição que nos colocou em queda livre, como querem fazer crer os amplos setores da “esquerda” parlamentar e liberal (socialdemocrata, por excelência), que objetivam a restauração de uma ordem antes vigente pautada por uma agenda menos agressiva de ataques do capital, ainda que não deixe de sê-la, vestindo a fantasia republicana da representação da classe nas instancias eternas e divinas da República Federativa do Brasil. É no esforço por se fazer cumprir nos estados a aprovação das reformas sinistras que a se autentica o contrato em duas vias. Bolsonaro e seus dezembristas saem por baixo neste negócio, garantindo suas rendas, lucro médio e peças para o jogo político. Avançam em ganhos os setores mais avançados da burguesia, com a massa dos lucros ascendente e a possibilidade de reverter a queda da taxa de lucro por sobre a dependência brasileira, a chacina e negligência da parcela mais proletarizada da população e a exploração do trabalho a custos cada vez menores. 

Nesse tresladado infortúnio, ficamos nós, trabalhadores, “agora e na hora de nossa morte”, entre a aparência da salvação e o escárnio da verdade. O desemprego cresce – atingindo nacionalmente a taxa de 11,4% em fins de maio [10] e as menores taxas de ocupação da População Economicamente Ativa (PEA) desde 2012 (49,5%) [11] – e se comprova na colocação do estado entre os que possuem mais pedidos de seguro-desemprego, 22.435 apenas na primeira quinzena de abril [12]. Faltam dados, faltam leitos, faltam programas para assegurar não mais a dignidade humana, mas a reprodução simples da vida. Talhada em ouro no Palácio das Mangabeiras a palavra “empreendedorismo”, lemos “subemprego” em crescimento histórico da curva de infecção, que, assim como o COVID-19, parece estar longe de seu ápice. 

“Que dor tão viva deles se apodera,

Que aos carpidos motivo dá tão forte? –

Serei breve em dizer-to – Me assevera. –

Não lhes é dado nunca esperar morte;

É tão vil seu viver nessa desgraça,

Que invejam de outros toda e qualquer sorte.

No mundo o nome seu não deixou traça;

A Clemência, a Justiça os desdenharam

Mais deles não falemos: olha e passa.” [13]

Ao menos em algo Zema expressou uma verdade ao declarar a improbabilidade do lockdown. Enquanto perdurar o modo de produção capitalista, que potencializa a disseminação da atual pandemia ao forçar que a maioria da população, que produz toda a riqueza, se exponha diariamente a graves riscos à sua vida para que uns poucos se deleitem com os lucros a partir das mais cômodas moradias, as probabilidades de que o direito à vida seja universal são baixas. 

Como afirma a premissa lukacsiana “o pior socialismo é preferível ao melhor capitalismo”, não nos encontramos, porém, nem geograficamente, nem mesmo historicamente no melhor capitalismo; cabe, dessa maneira, a mobilização dos aparelhos de organização da classe contra os retrocessos, mas não somente, a organização popular deve mirar suas armas aos seus generais, amotinar-se contra os exploradores, antes que perceba, no balançar da barca do Caronte, adentrar definitivamente nas muralhas da cidade infernal pelo pecado da traição de seu dever histórico.

*Historiador e militante do PCB e da União da Juventude Comunista.

[1] ALIGHIERI, Dante. A Divina Comédia. 1ed. São Paulo: Martin Claret, 2008. P. 38, 28ª-29ª estrofe.

[2] MINISTÉRIO DA SAÚDE. Coronavírus Brasil, 2020. Painel Geral. Disponível em: https://covid.saude.gov.br/

[3] LIMA, Deborah. ‘Minas Consciente’: entenda como funciona o programa para reabrir o comércio. Estado de Minas, 28 abr. 2020. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2020/04/28/interna_gerais,1142710/minas-consciente-entenda-como-funciona-o-programa-reabrir-comercio.shtml 

GOVERNO DE MINAS GERAIS. Estado de Minas Gerais. Minas Consciente: entenda o plano. Disponível em: https://www.mg.gov.br/minasconsciente/entenda-o-programa

[4] PIMENTA, Guilherme. Governo de Minas Gerais analisa, em média, 239 exames de Covid-19 por dia, apenas 6% da capacidade. G1 Minas, Belo Horizonte, 09 jun. 2020. Disponível em: https://www.mg.gov.br/minasconsciente/entenda-o-programa

[5] FIÚZA, Patrícia. Mesmo com ocupação recorde de leitos, Minas Gerais é o pior estado em testagem para Covid-19. G1 Minas, Belo Horizonte, 23 jun. 2020. Disponível em: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2020/06/23/mesmo-com-ocupacao-recorde-de-leitos-minas-gerais-e-o-pior-estado-em-testagem-para-covid-19.ghtml 

[6] MORAES, Gabriel. Zema diz que não deve decretar lockdown em Minas, pois decisão é dos prefeitos. O Tempo, Belo Horizonte, 24 jun. 2020. Disponível em: https://www.otempo.com.br/cidades/zema-diz-que-nao-deve-decretar-lockdown-em-minas-pois-decisao-e-dos-prefeitos-1.2352965 

[7] ALIGHIERI, Dante. A Divina Comédia. 1ed. São Paulo: Martin Claret, 2008. P. 36, 3ª estrofe.

[8] Repórteres Sem Fronteiras destaca Aécio como “coronel” da mídia. Carta Capital, 27 jul. 2016. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/blogs/midiatico/reporteres-sem-fronteiras-destaca-aecio-como-coronel-da-midia/

PASSOS, Najja. Como opera a máquina de censura de Aécio em MG. Carta Maior, 23 out. 2014. Disponível em: https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Como-opera-a-maquina-de-censura-de-Aecio-em-MG/4/32076

FERRAZ, Lucas. Depois de muita lorota, o jornalismo venceu. A Pública, 25 mai. 2017. Disponível em: https://apublica.org/2017/05/depois-de-muita-lorota-o-jornalismo-venceu/ 

[9] VILELA, Pedro Rafael. Bolsonaro recebeu apoio de 15 dos 27 governadores eleitos. Agência Brasil, Brasília, 28 out. 2018. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2018-10/bolsonaro-recebeu-apoio-de-15-dos-27-governadores-eleitos 

[10] BÔAS, Bruno Villas. Desemprego cresceu 10,8% entre a primeira e a última semana de maio. Valor Econômico, Rio de Janeiro, 16 jun. 2020. Disponível em: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2020/06/16/desemprego-cresceu-108percent-entre-a-primeira-e-a-ultima-semana-de-maio.ghtml 

[11] BEZERRA, Paula. Pela primeira vez, mais da metade dos brasileiros não têm trabalho, diz IBGE. CNN Brasil, São Paulo, 30 jun. 2020. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/business/2020/06/30/pela-primeira-vez-mais-da-metade-dos-brasileiros-nao-tem-trabalho-diz-ibge 

[12] Minas é o segundo estado com mais pedidos de seguro-desemprego. Estado de Minas, 28 abr. 2020. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2020/04/28/internas_economia,1142595/minas-e-o-segundo-estado-com-mais-pedidos-de-seguro-desemprego.shtml 

[13] ALIGHIERI, Dante. A Divina Comédia. 1 ed. São Paulo: Martin Claret, 2008. P. 37, 15ª-17ª estrofes.

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