A greve da educação estadual mineira foi suspensa a partir do dia 18 de março após a vitória do reajuste salarial de 33,24%, mas o estado de greve foi mantido contra as atuais ameaças do governador Romeu Zema (NOVO). O governador já prometeu judicializar e tentar derrubar o reajuste e segue com sua cartilha de austeridade fiscal pra privilegiar os ricos enquanto tenta destruir o serviço público mineiro. 

            A greve foi iniciada no dia 09 de março e contou com uma forte adesão no estado, se tornando a maior greve dos últimos 10 anos. A vitória foi uma pequena parte das reivindicações da categoria que exigem o cumprimento do pagamento do piso salarial nacional e se opõem contra o projeto de austeridade, chamado eufemisticamente de Regime de Recuperação Fiscal, que o governador neoliberal ameaça a população mineira desde 2019. 

            Apesar do reajuste conquistado pela categoria ainda não chegar à diferença do que deveria ser pago a partir das leis (nacional 11.738/08 e estadual 21.710/15) do piso salarial da educação, a força da mobilização é passo essencial para avançar rumo à uma organização de classe do sindicato da categoria, o Sind-UTE/MG. Além disso, a mobilização também demonstrou grande avanço para o setor público mineiro, já que com a pressão da categoria, o reajuste de 33,24% foi estendido e fortaleceu a greve dos trabalhadores das universidades estaduais (UEMG e UNIMONTES) e também foi garantido o reajuste de 14% para servidores da saúde e da segurança.  

            O governador Zema tenta enganar a população com a mentira de que o estado realiza o pagamento do piso nacional, mas Minas Gerais é um dos estados brasileiros com menores salários pagos aos trabalhadores da educação. A situação é drástica, os servidores não tinham reajuste há 6 anos e muitos trabalhadores da educação recebem valores inferiores a um salário mínimo, como é o caso dos auxiliares de serviços da educação básica que trabalham na cozinha, limpeza e portaria.        

modus operandi de Zema segue à risca o projeto da burguesia de destruição da educação pública de qualidade. Enquanto alega a falta de recursos do estado, realiza acordos fiscais com isenções bilionárias de impostos para privilegiar banqueiros e grandes empresários, além de promover repasses milionários (cerca de 300 milhões de reais) em verbas ocultas para seus aliados deputados da ALMG. O FUNDEB, que deveria ser destinado aos salários e à educação pública, tem seus recursos desviados para os projetos de municipalização e de escolas charters (privatizadas).  

A vitória do reajuste foi uma conquista da greve e da força de mobilização da categoria. Mas numa conjuntura de crise do capitalismo, de intensos ataques aos serviços públicos, em que as leis existentes que deveriam beneficiar a categoria já não são cumpridas, não há espaço para as ilusões com a democracia burguesa e com os algozes da classe que votaram a favor do reajuste apenas por interesses eleitoreiros. A categoria da educação estadual precisa continuar firme com a mobilização e derrotar as investidas do governador.  

O Sind-UTE como uma entidade criada pelo novo sindicalismo e gerida pelo cutismo, tem táticas insuficientes para o projeto de educação pública e de qualidade para a classe trabalhadora. O sindicato persiste em órbita aos mandatos petistas e não há intenção de organizar a categoria além das táticas de pressão pela aprovação ou reprovação de leis. A única saída é avançar contra o institucionalismo reformista das centrais sindicais, como a CUT, que colocam as eleições como resolução dos problemas da classe trabalhadora. É necessário avançar e resistir aos ataques com independência de classe!  

FORA ZEMA! Viva a luta da educação pública!