Leonardo Godim para O Poder Popular.

Fotos: Ana Vieira

A juventude comunista de Belo Horizonte já tem um pré-candidato à vereador para essas eleições. Thiago Camargos, estudante, jovem trabalhador e pai, se lança à tarefa de discutir as demandas da juventude belo-horizontina nessas eleições, bandeiras que defende desde o início de sua militância secundarista, há 20 anos. Após anos participando ativamente do movimento estudantil, Tiquinho, como é chamado pelas pessoas próximas, se tornou dirigente partidário do PCB e luta para que seus dois filhos, Gregório e Raul, vivam em um mundo com melhores condições de vida, estudo e trabalho para juventude trabalhadora.

Morador do bairro Pindorama, Thiago sempre foi um jovem proletário, tendo trabalhado por 12 anos em Sete Lagoas com uma empresa familiar de instalação de equipamentos eletrônicos, até passar no vestibular e ingressar na UFMG. Como muitos brasileiros, Thiago era, supostamente, o próprio patrão, mas na prática trabalhava 12 horas por dia e não tinha seus direitos trabalhistas.

Apesar de todas dificuldades, foi diretor da União Municipal de Estudantes Secundaristas de Belo Horizonte e da União Colegial de Minas Gerais. Particiou da fundação do Grêmio da Escola Técnica Vital Brasil, além de auxiliar o movimento secundarista de várias escolas. Mais tarde, também participaria da reorganização do Diretório Acadêmico do Instituto de Geociências da UFMG. Essa participação política desde jovem o levou a construir diversos espaços de solidariedade aos movimentos populares do Brasil e do mundo. Participou, por exemplo, ativamente da construção do plebiscito contra o Acordo de Livre Comércio das Américas, a ALCA, proposta dos EUA para penetrar ainda mais profundamente na América Latina, ameaçando a soberania dos países que então se opunham ao imperialismo estado-unidense.

As bandeiras que levanta nesta eleição são as bandeiras pela qual lutou ativamente toda sua vida. Uma das mais importantes é o passe-livre estudantil em Belo Horizonte. O passe-livre é uma política de combate a evasão escolar, afirma. O alto custo de transporte é muitas vezes o motivo do abandono escolar, algo comum nas periferias da cidade. Além disso, a formação humana ultrapassa, afirma Thiago, a sala de aula, e passa pela participação nos espaços culturais da cidade, pela possibilidade de visitar bibliotecas, observar a arquitetura do Centro, visitar parques e museus, etc. O alto custo da tarifa de ônibus acaba servindo como uma barreira que segrega a cidade, restringindo às classes dominantes a possibilidade de viver efetivamente a cidade e suas riquezas materiais e imateriais.

A tarifa, cada vez mais cara, é apenas um dos aspectos do grave problema do transporte público. A demissão de cobradores, concentrando atividades nos motoristas, que se veem operando múltiplas funções enquanto dirigem um ônibus público, é uma prova de que a atual lógica de mobilidade urbana só visa aumentar o lucro da máfia do transporte. Para combater essa lógica nefasta, o único caminho é a estatização do transporte público, afirma Thiago, sob controle dos trabalhadores. Essa é a única forma de acabar com essa máfia e garantir que a direito à cidade não seja destruído pela ânsia por lucros de uma minoria de famílias.

Outra bandeira que quer discutir com os trabalhadores e a juventude nesta eleição são as péssimas condições de trabalho que tem surgido com o fenômeno da uberização.  Milhares de jovens, fugindo do desemprego, se vinculam a aplicativos estrangeiros de entrega de alimentos e recebem em troca salários de fome, insegurança trabalhista e falta de benefícios básicos como seguro-desemprego e licensa maternidade. Sequer acesso a um banheiro esses trabalhadores têm durante sua jornada de trabalho. Thiago afirma que a cidade de Belo Horizonte, através de sua Câmara dos Vereadores, deve se responsabilizar pelas condições de vida desses jovens entregadores.

Sua proposta é a criação de uma cooperativa de entregadores que, com apoio público, crie um aplicativo próprio para região metropolitana de Belo Horizonte. Sem as taxas abusivas de lucro, essa cooperativa poderia dar melhores condições de trabalho e maior renda para entregadores, menores custos para os restaurantes e estabelecimentos vinculados e mais segurança para os usuários. Essa empresa, controlada pelos trabalhadores, seria um passo fundamental em garantir que as novas tecnologias estejam a serviço da humanidade, e não o contrário, como vemos hoje nos relatos de diversos entregadores.

Como morador de um bairro periférico e defensor dos direitos humanos, Thiago também propõe a criação de restaurantes populares nas regiões mais pobres da cidade como uma política de garantia de soberania alimentar das famílias. Além de garantir esse acesso à alimentação, cada vez mais dificultado pela crise econômica, a proposta de Thiago visa diminuir o peso que o trabalho doméstico tem na vida das mulheres trabalhadoras, que normalmente têm que cumprir uma dupla jornada de trabalho, em casa e fora dela. Os restaurantes populares, mais do que políticas pontuais de combate à fome, devem ser políticas de socialização do trabalho doméstico, possibilitando que as mulheres trabalhadoras também participem da vida política, cultural e social da cidade.

Por fim, Thiago quer levantar o debate sobre a Universidade Popular nestas eleições. Os problemas de Belo Horizonte são inúmeros: vão desde a infraestrutura urbana, à questão da moradia, à soberania alimentar das famílias, ao acesso a educação para todos, entre tantos. É fundamental, afirma, que as universidades que operam em Belo Horizonte assumam sua responsabilidade frente a esses problemas e impulsionem suas políticas de Extensão Universitária para solução destes problemas. A Extensão Popular deve ser um dos fundamentos da universidade, garantindo que o conhecimento produzido nessas instituições, como a UFMG, esteja a serviço da classe trabalhadora. Somente assim criaremos um diálogo permanente entre as universidades e a comunidade de Belo Horizonte, o que é uma necessidade cada vez maior para barrar os ataques à universidade pública.

Mais do que discursos eleitorais, Thiago traz para a disputa acúmulos de duas décadas de luta ao lado dos trabalhadores e da juventude em Belo Horizonte. Por isso, afirma com segurança que mais importante que a vitória, é a divulgação das ideias dos comunistas e a criação de um campo político que consiga barrar os ataques que estamos sofrendo nesta conjuntura. Ousar lutar, ousar vencer: é essa a palavra de ordem que Thiago Camargos leva para essas eleições. Pelo Poder Popular!