Por Leonardo Godim para O Poder Popular. Fotos por Ana Vieira.

Marianna Versiani é candidata pela primeira vez e concorre a vereadora pelo Partido Comunista Brasileiro. Seu número de candidata é 21.902. Criada no Complexo Mariquinhas, ocupação urbana de Belo Horizonte, Marianna afirma que seu foco são as famílias que, como a dela, nasceram e vivem nas periferias da cidade e sofrem todo tipo de ataque a seus direitos. Questionada sobre sua principal bandeira nessas eleições, ela foi rápida em responder que é o combate à fome, que tem crescido de forma assustadora durante a pandemia, agravando um cenário de brutal empobrecimento dos trabalhadores e descaso dos poderes públicos.

Segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE, em 2017 e 2018 (números mais recentes) somente 63,3% das famílias brasileiras estavam em condição de segurança alimentar. Ou seja, 36,7% dos brasileiros estão em insegurança alimentar – uma outra forma de dizer-se: passam fome. Há de se considerar que de 2018 até hoje o desemprego no Brasil aumentou drasticamente, em especial entre informais, moradores de bairros periféricos, famílias chefiadas por mulheres e entre pessoas negras ou pardas (segundo nomenclatura do IBGE). Enquanto isso, o debate político é infestado por oportunistas que acusam os programas de combate à fome de “populismo”.

“Kalil não garantiu uma segurança para os trabalhadores durante a pandemia. Muitos trabalhadores são informais, e isso é extremamente grave, pois atualmente os direitos trabalhistas são cada vez mais retirados e esses setores não possuem nem o mínimo. É assim que a fome começa a devastar essas famílias”, afirma Marianna. A candidata ainda destaca que o fim das creches em tempo integral levada a cabo pela prefeitura também afeta a alimentação de crianças, pois muitas delas dependem da merenda escolar para se alimentar.

Para Marianna, a crise da pandemia é apenas o agravamento de um projeto de crise que é o capitalismo. De acordo com estudo do IBGE, o número de famílias em situação de insegurança alimentar subiu entre 2004 e 2017-18. Ou seja, já antes da pandemia do coronavírus o número de pessoas no mapa da fome do Brasil vinha crescendo como consequência da crise estrutural do capitalismo. O aumento do desemprego e da informalidade e o ajuste fiscal praticado pelos governos federais, estaduais e municipais são elementos decisivos para esse aumento da fome, que deve crescer com o atual cenário político brasileiro.

A candidata, assim como todo o Bloco do Poder Popular, defende a abertura imediata de restaurantes populares em todas regiões da cidade, de forma a garantir uma alimentação digna para todas as famílias. Essa é uma medida emergencial necessária, mas Marianna destaca que só com a superação do capitalismo poderemos garantir uma condição de vida digna para todos os brasileiros. Os comunistas defendem o pleno emprego como política de Estado, mediante a estatização dos setores fundamentais da economia e a ampliação da estrutura produtiva do país. Auxílios emergenciais sempre serão apenas paliativos enquanto a classe trabalhadora brasileira não reorganizar a economia, voltando a produção para as necessidades de toda a população.

“Enquanto houverem trabalhadores de Belo Horizonte passando fome, sem ter como dar um prato de comida a seus filhos, nossa luta não vai ter fim”, afirma Marianna. Antifascista convicta, ela entende que são esses direitos básicos para garantia da vida que estão em jogo no atual cenário político, e afirma que os comunistas são os únicos dispostos a ir até as últimas consequências para reverter esse cenário e construir uma sociedade onde nenhum adulto nem nenhuma criança não tenham o que comer enquanto há abundância de comida.