Leonardo Godim para O Poder Popular. Fotos por Ana Vieira.

Aos 26 anos, Bruna Thariny compõe a chapa do Partido Comunista Brasileiro para as eleições em Ipatinga, concorrendo à cadeira de vereadora. Jovem comunista, fundadora da Intervenção Poética Popular Revolucionária – IPPR, dona de um estúdio de tatuagem e formada em matemática, Bruna é uma das melhores representantes da nova geração de comunistas que querem construir uma cidade radicalmente democrática, onde o povo trabalhador discuta e decida sobre os rumos das políticas que os afetam diretamente.

Sua participação na política começou pela cultura, com o IPPR se reunindo no Teatro de Arena e organizando apresentações artísticas e culturais abertas. Essa forma de discutir a política na rua forjou muito do que Bruna hoje defende para Ipatinga. Para ela, o mais importante não é eleger uma ou outra candidatura, mas criar espaços democráticos onde o povo trabalhador de Ipatinga possa discutir e deliberar sobre as iniciativas do poder público, assumindo o comando da cidade.

Seguindo todas recomendações dos órgãos de saúde, Bruna Thariny (21211) e os demais candidatos estão firmes na campanha nas redes sociais e nas ruas.

Para isso, Bruna propõe a reformulação dos Conselhos Municipais. Atualmente, estes conselhos, que deveriam ser espaços para sociedade civil orientar e fiscalizar o poder público, têm metade de suas cadeiras ocupadas por indicados da prefeitura, e não possuem poder deliberativo. A candidata propõe que todos os membros do Conselho sejam eleitos por bairro, representando os trabalhadores de sua região, sem intervenções da prefeitura. Também defende que os Conselhos se tornem espaços deliberativos, obrigando a prefeitura a acatar decisões dos Conselhos. Hoje, a prefeitura pode acatar as decisões dos Conselhos ou não, tirando deles todo potencial democrático.

Esse conjunto de propostas, que institui eleições para conselheiros por bairro, com Conselhos 100% autônomos em relação à prefeitura e com plenos poderes deliberativos, busca transformar os atuais Conselhos Municipais em Conselhos Populares, que sejam expressão do Poder Popular na cidade. Para isso, é fundamental resgatar as Associações Comunitárias em todos os bairros da região, de forma que os conselheiros eleitos representem verdadeiramente o interesse dos trabalhadores dos bairros.

Além disso, ela se compromete a tornar seu mandato, caso eleita, em um espaço para os movimentos sociais de Ipatinga na Câmara dos Vereadores, abrindo o plenário para intervenções e posicionamentos de organizações dos trabalhadores. Nas principais decisões a serem tomadas pelos parlamentares, a candidata defende que sejam realizados plebiscitos e referendos, ampliando a voz dos trabalhadores nas tomadas de decisão do poder público.

Outro eixo de sua candidatura é a desmercantilização da vida. Direitos básicos para uma vida digna, como saúde, educação, transporte público, alimentação, luz e saneamento básico, não podem ser mercadorias. Por isso, Bruna se posiciona contrária à privatização do sanamento básico – processo que acontece em todo país, após lei do Congresso Nacional – por ser uma forma de transformar uma necessidade básica da população em uma enorme fonte de lucros para poucos empresários.

Bruna defende uma educação 100% pública e de qualidade, do ensino básico ao ensino superior. A candidata afirma que é fundamental um maior investimento em escolas e creches, que hoje são poucas em Ipatinga e não atendem nem 1/3 das crianças da cidade. Para melhoria da qualidade do serviço e ampliação das vagas, ela defende a municipalização das creches, que hoje são conveniadas. Para o ensino superior, propõe a instalação de um campus de alguma das universidades estaduais na cidade. “A inserção da iniciativa privada é um sintoma da falência do serviço público”, afirma Bruna.

Outra de suas propostas é a criação de linhas de crédito para cooperativas e iniciativas de economia solidária. Segundo Bruna, a zona rural de Ipatinga é extensa e cumpre um papel fundamental na produção de alimentos para todo o município. Cabe ao poder público estimular essa produção agrícola local, com estímulos de crédito e assessoria técnica para melhoria da produtividade e desenvolvimento de técnicas agroecológicas de plantio. Existem muitas terras ociosas que são propriedade do município, segundo Bruna, e que poderiam ser utilizadas como terras coletiva de produção agrícola – sem que essas terras sejam apropriadas privadamente –, ampliando a oferta de alimentos na cidade e criando empregos.

Bruna se diz confiante na campanha que os comunistas estão fazendo em Ipatinga. Com força e inserção popular, mas sem perder o conteúdo revolucionário de suas propostas, os comunistas querem eleger tribunos populares para defender o interesse dos trabalhadores no parlamento municipal. Bruna é um dos nomes fortes para essa disputa e demonstra ter todo o preparo para assumir essa responsabilidade. Será uma oportunidade histórica para os comunistas de Ipatinga de colocar à frente suas bandeiras e mostrar ao povo trabalhador da cidade que não recuaremos, até a vitória.