Por Leonardo Godim e Maria Luiza Ferreira

No dia 20 de maio, trabalhadores das usinas de biocombústiveis de Montes Claros (MG) e Candeias (BA) e da administração da PBio paralisaram suas atividades, declararando greve. Com o avanço do processo de privatização, eles reivindicam que todos concursados sejam transferidos para outras unidades da Petrobrás. A venda das usinas de biodiesel, que também inclui a unidade desativada em Quixadá, no Ceará, começou em julho de 2020 e faz parte de um longo processo de fatiamento e “desinvestimentos” da estatal.

Segundo Alexandre Finamori, coordenador geral do Sindipetro/MG, uma “grande jogada burocrática-econômica” permitiu que as usinas fossem à venda. Elas pertenciam à Petrobrás e só em 2019 foram transferidas para um novo CNPJ, que agora está sendo vendido integralmente. Outras irregularidades também foram constatadas pela Federação Única dos Petroleiros, que tenta anular a privatização na justiça.

Em entrevista realizada no dia 31 de maio para O Poder Popular, Alexandre afirmou que “essa greve por si só já é histórica”. “É a primeira vez que fazemos uma greve e conseguimos parar a produção das duas usinas de biodiesel da Petrobrás. A adesão é ampla e até os supervisores aderiram”. A reivindicação de que os trabalhadores sejam transferidos para outras unidades da estatal não deixa de lado a denúncia de privatização. “Nós discordamos das vendas. Não pode vender, é ilegal. Agora, se vender, tem que absorver os trabalhadores”, afirmou.

A privatização da Petrobrás Biocombustíveis é mais um episódio do desmembramento da Petrobrás e da sua entrega ao capital estrangeiro. Pioneira nas tecnologias de inovação em combustíveis renováveis, sua venda é um passo atrás na transição energética do petróleo para fontes não-poluentes.

Em audiência virtual, no dia 2 de junho, foi aceita a proposta de suspender a greve, com a condição de que a Petrobrás participe das futuras audiências que irão definir o futuro dos trabalhadores das usinas e da administração da PBio. A negociação foi mediada pela ministra Delaíde Miranda Arantes, do Tribunal Superior do Trabalho.