No último sábado, dia 25 de julho, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) oficializou a chapa que disputará as eleições de 2026 em Minas Gerais em sua Convenção Partidária. A chapa própria dos comunistas é encabeçada pelo ex-presidente da Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Minas Gerais (ADUEMG), Professor Túlio Lopes, como candidato a governador e conta com Warlen Nunes como candidato a vice-governador. A chapa conta também com três candidaturas próprias para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais: Jéssica Carvalho, José Augusto Bernardes (Zulu) e Mário Mariano.

A Convenção Partidária foi realizada no período da tarde, no Auditório José de Alencar da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O evento contou com saudações de representantes do Comitê Central do PCB, da corrente sindical do partido, a Unidade Classista, da juventude do PCB, a União da Juventude Comunista (UJC), do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro (CFCAM), da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL).

Militantes históricos do movimento comunista também estiveram presentes, como Arutana Cobério Terena, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte pelo PCB, José Francisco Neres, ex-vereador de Sabará e último preso político da ditadura a ser libertado em Minas Gerais, Antônio Almeida, líder histórico do Movimento Comunitário Ecológico, e Diva Moreira, cientista política e ativista do movimento negro. Por fim, foi feita uma homenagem à camarada Maria Emília, falecida no último mês. Maria Emília foi militante histórica do movimento comunista, participando da Resistência Armada contra a Ditadura Empresarial-militar brasileira e chilena, que ingressou posteriormente no PCB contribuindo decisivamente na reorganização do Partido nos anos noventa. 

Quem é Túlio Lopes

A pré-candidatura do professor Túlio Lopes é uma alternativa de esquerda e popular que surge da luta dos docentes da UEMG e dos servidores públicos estaduais em construção conjunta com lideranças de movimentos sindicais, populares, estudantis, ambientais e culturais. Túlio é professor da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e ex-presidente da Associação dos Docentes da UEMG (ADUEMG) – Seção Sindical do ANDES – Sindicato Nacional. Atualmente, é secretário político (Presidente) do PCB em Minas Gerais e integrante do Comitê Central do Partido.

Túlio já foi o candidato do PCB a governador de Minas Gerais nas eleições de 2014 tendo como vice o advogado Roberto Auad. Em 2018 candidatou-se a senador tendo como suplentes a advogada Eloísa Aquino e o sindicalista Emanuel Bonfante.

Quem é Warlen Nunes

O pré-candidato a vice-governador de Minas Gerais, Warlen Nunes, é integrante do Comitê Central e do Comitê Estadual do PCB. Warlen é graduado em Filosofia pela PUC-Minas, mestre e doutorando em Filosofia pela UFMG. Também integra o Núcleo de Educação Popular 13 de maio e o Conselho Estadual do Instituto Caio Prado Junior (ICP-MG).

Warlen Nunes já foi presidente do Diretório Acadêmico de Filosofia da PUC-Minas e membro da coordenação nacional da União da Juventude Comunista (UJC), juventude do PCB, além de atuar na base do SindUTE-MG e no movimento dos pós-graduandos. 

Eleições proporcionais

Jéssica Carvalho é graduada em Filosofia pela Universidade Federal de São João del-Rei e mestre em História. Atua no movimento estudantil, na construção do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro (CFCAM) e na luta das mulheres mães estudantes pela garantia da permanência materna nas instituições de ensino superior, defendendo condições concretas para que a maternidade não seja um obstáculo ao acesso e à permanência na educação. 

José Augusto Bernardes, conhecido popularmente como Zulu, é natural de Itaúna e vive em Betim desde 1976. Zulu foi um dos fundadores do sindicato dos metalúrgicos de Betim e participa ativamente da vida política e cultural da cidade desde a década de 1980. Foi diretor da Casa da Cultura do município entre 1989 e 1996 e assumiu a defesa da cultura e dos trabalhadores betinenses como projeto de vida. 

Mário Mariano é professor da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri em Diamantina. Nos últimos anos, Mário se dedicou à formação de professores e ao fortalecimento da luta sindical e popular. Esteve ao lado de mobilizações por moradia popular na cidade de Diamantina e dos movimentos de defesa do meio ambiente e dos parques mineiros contra a sanha da privatização.

O partido definirá posteriormente sobre eventuais apoios a candidaturas ao Senado e à Câmara Federal.

Confira na íntegra o discurso do Professor Túlio Lopes que encerrou o evento:

“Boa tarde camaradas do PCB, companheiros, companheiras, amigos(as), apoiadores(as) e familiares! Hoje, 25 de julho de 2026, é um dia histórico para os comunistas de Minas Gerais. Pela quarta vez em nossa história centenária iremos homologar uma chapa própria do PCB para o Governo de Minas Gerais. Nós, comunistas, não somos uma seita e nem um pequeno agrupamento de conspiradores. Apresentamos e defendemos nossas posições políticas, tendo como objetivo estratégico a luta pela revolução social e pela emancipação humana. O presente é de lutas e o futuro nos pertence!

Somos dezenas, centenas, milhares e milhões de pessoas em todos os países do mundo. Somos internacionalistas e nossa pátria é a humanidade! Lutamos contra o militarismo, as guerras imperialistas, pelo socialismo e pela paz mundial. O Governo fascista de Trump ameaça a humanidade com uma nova guerra mundial. Repudiamos com veemência as agressões imperialistas contra todos os povos do Mundo e o genocídio praticado pelo Governo Sionista de Israel contra o povo palestino. Defendemos Cuba Socialista e manifestamos, sem nenhuma moderação, nosso apoio incondicional ao povo, ao Governo e ao Partido Comunista Cubano (PCC).

O atual governo brasileiro liderado pelo Presidente Lula acerta quando combate a extrema-direita e defende o fim da escala 6 x 1. Mas, erra quando apresenta um novo arcabouço fiscal, cede aos interesses do agronegócio e concilia com as forças políticas da direita brasileira. Derrotamos a extrema-direita nas eleições gerais de 2022 e mantivemos nossa independência política em relação ao Governo Lula. No primeiro turno das eleições gerais de 2026, o PCB apresenta sua chapa própria nas eleições presidenciais com o economista Edmilson Costa e a professora Cleusa Santos.

Em Minas Gerais, protagonizamos diversas lutas contra os sucessivos governos que mantiveram políticas neoliberais de austeridade fiscal privilegiando os interesses dos grandes empresários, industriais, banqueiros e latifundiários. Esta minoria social é a maioria política nas prefeituras, câmaras municipais, na Assembleia Legislativa e no Governo do Estado de Minas Gerais. Precisamos derrotar o projeto ultraliberal e autoritário e construir uma alternativa de esquerda e popular na perspectiva de um Governo dos(as) Trabalhadores(as). 

Precisamos fortalecer a nossa resistência e garantir a eleição de parlamentares comprometidos com as lutas da classe trabalhadora, da juventude e dos movimentos populares. Por isso, apresentamos nossa bancada comunista composta por três pré-candidaturas ao legislativo estadual, que representam lutas fundamentais desenvolvidas em diversas frentes de trabalho como cultura, juventude, educação, mulheres e universidades públicas: Jéssica Lopes, Mário Mariano e Zulu são pessoas imprescindíveis e revolucionárias. 

Nossa pré-candidatura ao Governo de Minas Gerais surge de quatro pontos que convergem. Primeiro – da luta dos docentes da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) protagonizada pela ADUEMG, em que eu tive a tarefa de estar na presidência nos últimos quatro anos e que teve a participação de toda comunidade universitária. Segundo – da luta dos servidores públicos estaduais contra as políticas do Governo Zema-Simões. Lutamos contra as privatizações da CEMIG, CODEMIG, GASMIG e da COPASA, em defesa das empresas públicas, das autarquias, dos serviços públicos e dos servidores. Terceiro – da luta dos movimentos populares e da juventude. Desde minha adolescência nos anos noventa participo das lutas da juventude e dos movimentos populares, e é do povo trabalhador que tiramos nossa força. Quarto – do Partidão, o único partido centenário do Brasil e de Minas Gerais. O PCB sempre esteve ao lado do povo trabalhador mineiro e nos últimos anos acertou na análise política identificando Zema e seus aliados como inimigo político que deveria e foi combatido desde seu primeiro dia de governo. Por isso e outros motivos não apoiamos e não fazemos alianças com partidos da base de apoio ao Governo Zema-Simões.

O PCB foi fundado em 25 de março de 1922 e, em Minas Gerais, no ano de 1925. Ao longo destes cem anos o PCB esteve presente em diversas lutas da classe trabalhadora, da juventude e dos movimentos populares. As forças da repressão assassinaram diversos militantes e cassaram diversos mandatos parlamentares e sindicais de nossos filiados e militantes. Grupelhos esquerdistas e oportunistas tentaram dividir e liquidar o Partido. Mas é impossível acabar com o Partidão e conseguimos sempre superar dialeticamente diversas crises em diferentes momentos históricos. Na atualidade é cada vez mais necessário fortalecer o partido de novo tipo, o príncipe moderno, o partido revolucionário, o Partido Comunista. Precisamos crescer com qualidade. Aumentar a quantidade de elementos qualitativos. Estamos construindo um partido forte, vivo e atuante nas principais lutas de nossa classe em Minas Gerais.  

Nasci em Belo Horizonte, morei em Mariana, Diamantina e Sete Lagoas. Atualmente, moro em Divinópolis, no centro-oeste de Minas Gerais. Sou apaixonado por Minas Gerais. Sou professor efetivo da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Compartilho minha vida com minha camarada Jéssica Carvalho e tenho dois filhos maravilhosos. Sou americano de coração e meu time de direção é o Proletários Futebol Popular. Minha juventude começou no Grêmio Estudantil, passou pela UMES-BH, CAHIS-UFOP, DCE-UFOP, UEE-MG, APG, UJC e FMJD. Muitas lutas, vitórias, derrotas, empates, resistências e conquistas. Atuei na base e nos conselhos do SindUTE e na ADUEMG desde sua fundação. 

Aprendi que a luta coletiva é necessária, que possibilidades existem e que temos que trabalhar para ampliarmos as probabilidades. Me diziam que era impossível ter o passe livre para os estudantes em BH, conquistamos este direito. Me diziam que era impossível urbanizar a favela São José, foi urbanizada. Me diziam que tinham que aumentar o valor da refeição na UFOP, não aumentaram. Me diziam que a UEMG iria ser descredenciada, não foi. Me diziam que iriam privatizar a UEMG, não privatizaram. Me diziam que iriam vender mais de 350 imóveis das empresas públicas e das autarquias de Minas Gerais, não venderam. Fazemos história de acordo com as circunstâncias, que podem e devem ser alteradas. 

Em 2014, participamos pela primeira vez da disputa pelo Governo de Minas Gerais e em 2018, disputamos o Senado Federal. Já tivemos 1% dos votos em Minas Gerais e iremos batalhar para apresentamos nosso programa comunista e fazer a disputa política necessária e irmos para o segundo turno. 

Aos camaradas da velha guarda comunista de Minas Gerais, afirmo: Sonhos não envelhecem! Reafirmo meu compromisso com nossa luta: jamais iremos abandonar a luta pelo fim da exploração, das opressões, em defesa da vida e do meio ambiente. 

Aos camaradas sindicalistas e à juventude comunista: vale a pena lutar! Enquanto houver miséria e exploração, ser comunista é a solução. 

Aos apoiadores e apoiadoras: lutamos pelo bem comum, por uma sociedade sem classes sociais, sem injustiças, exploração e opressões. Uma sociedade justa, fraterna e igualitária. Pelo socialismo na perspectiva do comunismo.

Aos familiares, agradeço imensamente o apoio dado nos últimos anos e a paciência em lidar com nossos erros e limitações. Seguimos superando dialeticamente nossas insuficiências. 

Por fim agradeço a confiança e a camaradagem da militância do PCB. Como sempre foi nas últimas duas décadas e meia: tarefa dada é tarefa cumprida. A hora é essa! Vamos à luta! Venceremos!”