O Partido Comunista Brasileiro (PCB), a União da Juventude Comunista (UJC), o Coletivo Feminista-Classista Ana Montenegro (CFCAM) e a Unidade Classista (UC) em Uberlândia vêm a público, por meio da presente nota, manifestar seu repúdio diante da reabertura do comércio a partir desta segunda-feira (27/04).

Após decisão no Núcleo Estratégico do Comitê Municipal de Enfrentamento ao COVID-19, através das Deliberações 001 e 002/2020, foi reaberto o comércio em Uberlândia, em sistema de rodízio, e já está previsto o retorno do funcionamento dos shopping centers a partir de 02/05. Esta medida coloca os interesses econômicos de setores burgueses à frente da saúde e da vida. Além disso, os depoimentos dados pelo presidente Jair Bolsonaro, desrespeitando o isolamento social, são contrários, inclusive, às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).  Mais uma vez, o capitalismo demonstra sua verdadeira face, a dos lucros acima das vidas, assegurada pelas políticas dos governantes.

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, e Romeu Zema, governador do Estado de Minas Gerais, governam para os ricos, empresários e banqueiros, retiram do Estado seu papel fundamental nesse momento de amparar ao mais pobres e assegurar direitos básicos à sobrevivência de grande parte da população brasileira em tempos de pandemia. Bolsonaro assina a sentença de morte de milhares de brasileiros, via decreto que libera o funcionamento dos comércios de todo o Brasil. Seguindo a mesma linha, Zema e o prefeito de Uberlândia/MG, Odelmo Leão, liberam a reabertura do comércio, cedendo às pressões dos empresários, desamparando e expondo totalmente os trabalhadores e trabalhadoras aos riscos da doença, uma vez que, essas trabalhadoras e trabalhadores precisam trabalhar para sobreviver.

Para que tenhamos ideia do cenário atual: no Brasil, passados menos de dois meses desde que foi registrado o primeiro contágio pelo COVID-19, já foram alcançados índices que se equiparam aos chineses em número de mortos e, estamos avançando, a passos largos, para o mesmo em infectados. De acordo com o Ministério da Saúde, neste sábado, 02/05, temos 96.559 casos confirmados e 6.750 mortes, isso sem levar em conta os casos assintomáticos e a notória subnotificação, pois o país não foi capaz de adotar o método de testagem em massa, o que nos leva a possibilidade de que esses números sejam ainda maiores. Como os números mudam a todo momento, o que nos cabe deixar registrado é que, em Uberlândia, em nota do dia 27/04, a taxa de letalidade era de 7,8%, está acima da própria média nacional (6%) e da estadual (4%), sendo a terceira cidade com maior quantidade de casos suspeitos em Minas Gerais. O boletim municipal sobre o COVID-19, do dia 2/05, em Uberlândia, registrou 172 casos, dentre 4.39 suspeitos e 10 óbitos confirmados pelo vírus, e já são 74% dos leitos de UTI ocupados. Apesar do número de casos e mortes confirmados subir a cada dia, o presidente da república diz que “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”.

Curiosamente, no último dia 26 de abril, Odelmo Leão, em discussão com internautas a respeito da reabertura do comércio afirmou, em rede social, que “não fui eu que trouxe o vírus para o Brasil. Passar bem!”. A semelhança nos discursos do presidente e do prefeito expressam deboche desprezo à vida de milhares de trabalhadoras e trabalhadores brasileiras/os expostos à doença nos seus ambientes de trabalho. Presidente, governador e prefeito, demonstram assim, suas políticas em favor do grande capital, uma vez que sabemos que a doença atinge de forma desigual o país, expondo ainda mais as fragilidades do sistema, assolando os mais pobres e revelando o colapso do Sistema Único de Saúde.

Nós repudiamos tais atitudes que corroboram com o genocídio da população pobre e negra, obrigada a trabalhar em meio à pandemia, tendo seu direito ao isolamento social negado pelo Estado. Ressaltamos que, a vida da classe trabalhadora vale mais que o lucro dos patrões e grandes empresários. Por isso, exigimos que o comércio seja fechado, que os shopping centers não sejam abertos e que a população receba kits de higiene e limpeza e cestas básicas. Exigimos também a imediata e urgente revogação da Emenda Constitucional 95, que congela os investimentos em saúde e educação por 20 anos. Pelo aumento da renda emergencial e por um SUS 100% público, estatal e de qualidade.

A vida acima dos lucros!