Por Pablo Matta Machado

Na dianteira da retomada dos atos de rua, iniciada em maio, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e os seus coletivos partidários ocuparam novamente as ruas de Belo Horizonte (MG) neste sábado (2/10) para se posicionar contra o governo Bolsonaro-Mourão, a PEC 32, as privatizações e o Novo Marco Temporal; defender as liberdades democráticas, os serviços públicos, a classe trabalhadora e os direitos dos povos indígenas; e lutar por emprego, terra e moradia.

“O PCB é o partido mais antigo do Brasil. No ano que vem vamos completar 100 anos de lutas, junto com a classe trabalhadora, pelo socialismo em nosso país. E hoje temos o desafio de derrotar Bolsonaro imediatamente”, destaca Túlio Lopes, secretário político do PCB em Minas Gerais. 

O Dia Nacional de Lutas pelo Fora Bolsonaro-Mourão mobilizou cerca de 1 milhão de manifestantes em mais de 300 cidades, contemplando todas as regiões do Brasil, além de outros 19 países, com a presença de estudantes, militantes de partidos políticos de esquerda e de movimentos sociais e sindical. “Além de BH, o PCB esteve presente em mais de 10 atos em Minas Gerais, com destaque para Pouso Alegre, Varginha, Divinópolis, Teófilo Otoni, Uberlândia, Uberaba, Coronel Fabriciano e Montes Claros”, informa Túlio Lopes.  

Na capital mineira, a concentração teve início às 15h30, na Praça da Liberdade, região central da cidade. Por volta das 17h, os manifestantes seguiram pela Avenida Brasil e viraram na Avenida Afonso Pena, em direção à Praça Sete, onde ocorreu o encerramento do ato, por volta das 19h30.

“Esse governo é o responsável por mais de 600 mil mortes no Brasil e por milhões de desempregados e miseráveis, que passam fome em nosso país, muitas vezes sem ter onde morar. Bolsonaro e Mourão governam para banqueiros, latifundiários, seus familiares e amigos, deixando à deriva toda a sua população. É um governo que privatiza e que quer tirar todos os direitos dos trabalhadores. Estamos aqui hoje para protestar contra todas essas mazelas, que são consequência do capitalismo e de sua crise estrutural”, declara Alex Roberto, secretário político da Unidade Classista em Minas Gerais, militante do PCB e diretor do Sindados-MG (Sindicato dos Empregados em Empresas de Processamento de Dados, Serviços de Informática e Similares do Estado de Minas Gerais).  

Ao longo de todo o trajeto, o Bloco do Poder Popular chamou a atenção de manifestantes autônomos, pedestres e moradores do Centro de Belo Horizonte. Cânticos e palavras de ordem pelo impeachment imediato de Bolsonaro, em defesa do serviço público e pelo poder popular deram o tom da passeata. Também foram distribuídos panfletos voltados à conscientização dos trabalhadores.

“Nós não estamos na rua hoje só para derrubar Bolsonaro e tudo o que ele representa. Estamos mobilizados para alcançar cada vez mais corações e mentes da classe trabalhadora, mostrando a importância da derrubada das contrarreformas e da reversão de todos os ataques que temos sofrido“, destaca Renata Regina, secretária estadual de agitação e propaganda e coordenação nacional do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro. 

Munidos de máscaras PFF-2, os participantes contavam com álcool em gel para higienizar as mãos e eram orientados a manter o distanciamento de segurança.

Calendário de lutas e perspectivas para os próximos atos

Nos próximos meses, a expectativa é de que ocorram novos atos nacionais pelo Fora Bolsonaro-Mourão, mobilizações em Brasília com o objetivo de barrar a Reforma Administrativa (PEC 32) e atos em todo o país no Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro. 

O nosso esforço é para que os atos, além dos finais de semana, sejam também nos dias úteis, com o intuito de parar a produção e a circulação de mercadorias, envolvendo ainda mais trabalhadores”, prevê Túlio Lopes.

Não recuaremos!

Diretamente responsável pela morte de mais de meio milhão de pessoas, Bolsonaro atrasou deliberadamente a compra de vacinas e negou um auxílio emergencial digno à população durante a pandemia. Com a carestia dos alimentos, a fome assola cerca de 50 milhões de brasileiros. O desemprego é recorde, o gás de cozinha e a gasolina continuam subindo e a burguesia segue com a agenda de precarização do serviço público e cortes nos direitos dos trabalhadores.

“Temos que seguir mobilizados, nos nossos locais de inserção, nas lutas necessárias e imediatas, aliando a elas a luta política geral pelo Fora Bolsonaro-Mourão, entrelaçada com as lutas da nossa classe”, argumenta Diego Miranda, secretário de agitação e propaganda da Unidade Classista em Minas Gerais, militante do PCB e diretor do Sind-Rede BH (Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte). 

É fundamental que todos fortaleçam as mobilizações nos seus locais de trabalho, estudo e moradia para derrotar o bolsonarismo, as contrarreformas, as privatizações e a lei do teto de gastos. “Seguimos firmes na luta contra os governos Bolsonaro e Zema, construindo o Poder Popular e intensificando nossa Jornada de Lutas”, conclui Túlio Lopes.