Por Leonardo Godim para o Poder Popular MG

BELO HORIZONTE – Em unidade, partidos e movimentos antifascistas foram às ruas no último domingo em protesto contra o genocídio da população negra e contra as políticas do governo Bolsonaro e Mourão. Mais cedo, profissionais da saúde também se manifestaram na Praça da Estação em solidariedade às vidas perdidas pelo COVID-19 e contra as posturas de Bolsonaro no combate à pandemia.

O ato foi convocado nas redes sociais pelos movimentos Somos Democracia BH, Antifa BH, Resistência Americana Antifa, Resistência Alvinegra e Antifa82 BH. Os movimentos caminharam da Praça da Bandeira até a Praça Sete, sem nenhum confronto. A manifestação dos profissionais da saúde, realizada mais cedo, foi organizada pela Rede Nacional de Médicos e Médicas Populares.

A ação, tal como no domingo anterior, foi uma resposta a onda de demonstrações fascistas que vinham ocorrendo no país. Manifestações virtuais e “panelaços” contra o atual governo e os posicionamentos de Bolsonaro ocorreram desde o início da pandemia, mas os gritos voltaram agora às ruas. Em Belo Horizonte, bolsonaristas recuaram e ontem a bandeira verde amarela foi acompanhada pelas vermelhas e pretas enquanto balançavam nas ruas da cidade.

Os brasileiros têm especial motivo para rebelar-se contra o atual governo, sua política econômica e seus partidários oportunistas. Mas não somos os únicos a se levantar contra o fascismo. Nos Estados Unidos, há 13 dias as ruas foram tomadas por trabalhadores que se levantaram contra a morte violenta de George Floyd pela polícia em Minneapolis. Assim como no Brasil, um governo que flerta com o fascismo é responsável pelo pior desempenho no combate à pandemia do mundo e a atual crise se soma a um histórico genocídio do povo negro e periférico.

A atual crise exige uma ação decisiva dos movimentos populares. Bolsonaro aposta sua governabilidade em seus apoiadores, cada vez mais armados, e militares fiéis a seu projeto lesa-pátria. Os primeiros vinham usando manifestações de rua, instrumento histórico da classe trabalhadora, para demarcar suas posições e amedrontar adversários do presidente. Os últimos atos provaram sua fraqueza em relação ao movimento popular, que deve ser sentinela das ruas e esmagar esse pilar de apoio à Bolsonaro.

Se o chamado às ruas é ainda uma ação de autodefesa contra a ascensão fascista, sua unidade na ação pode ser o prelúdio de uma ofensiva dos trabalhadores não só contra Bolsonaro, mas contra toda sua política genocida. A dispersão das forças populares é nossa maior fraqueza e deve ser combatida com uma profunda discussão nos movimentos sociais e partidos políticos que crie uma plataforma de ação comum capaz de unificar nossas forças.

O descontentamento internacional contra Bolsonaro, agravado pela denúncia de encobrimento de dados sobre o COVID-19, será tensionado por uma maior oposição interna. É fundamental que essa oposição não se isole em vanguardismo e nem se dilua ao ponto de perder a capacidade de agir. Milhões de brasileiros perderam suas condições de vida com a crise e vivem em meio a guerra que tirou a vida de João Pedro Mattos, de 14 anos, no mês passado. O compromisso das forças populares é com estes milhões de brasileiros.