Arquivos Privatização - PCB/MG https://www.poderpopularmg.org/tag/privatizacao/ Poder Popular Minas Gerais Sat, 16 May 2020 14:50:54 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 Refinaria mineira será privatizada e trabalhador sentirá no bolso https://www.poderpopularmg.org/regap-sera-privatizada/ https://www.poderpopularmg.org/regap-sera-privatizada/#respond Sat, 16 May 2020 14:49:04 +0000 https://www.poderpopularmg.org/?p=74514 Leonardo Godim

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Parte II da reportagem ‘Petrobrás a venda’

Por Leonardo Godim para o portal Poder Popular MG.

Está em negociação o segundo lote de refinarias a serem vendidas pela Petrobras. Nele, será vendida a Refinaria Gabriel Passos, única refinaria do estado de Minas Gerais. A unidade é responsável pela produção de 50% do consumo estadual de combustíveis e representa 7% de toda produção nacional. A entrega da refinaria a empresas estrangeiras deve levar ao aumento dos preços da gasolina, diesel e gás de cozinha na região.

Já na fase preliminar da venda, a chinesa Sinopec e a estado-unidense EIG Global Energy Partners fizeram propostas pela refinaria [1]. O interesse pelas refinarias brasileiras é grande. O atual sistema de monopólio local dá garantias de mercado às empresas estrangeiras, que poderão comprar a refinaria em uma conjuntura de desvalorização do preço do petróleo e desmoralização da Petrobras.

O acordo travado entre a diretoria de Petrobras e o Conselho Administrativo de Defesa Econômico obriga a empresa a vender suas refinarias até 2021. A decisão foi questionada em uma ação judicial pelo Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais [2]. Os trabalhadores afirmam que a venda de unidades da Petrobras sem aprovação do legislativo fere a lei e a última decisão do STF sobre o tema. A pressão do judiciário e a crise do petróleo deverão afetar negativamente o valor de venda da refinaria.

A Refinaria Gabriel Passos foi fundada em 1968. Foto: Petrobrás.

A Refinaria Gabriel Passos é a única refinaria do sudeste do país à venda. Responsável pelo abastecimento de Minas Gerais e ocasionalmente do Espírito Santo, a refinaria emprega 2000 trabalhadores e é uma das maiores indústrias da região.

Desde 2016, o número de trabalhadores tem caído. Em entrevista para o Poder Popular MG, Alexandre Finamori, diretor do Sindipetro-MG e trabalhador da REGAP (Refinaria Gabriel Passos), denuncia a redução do número de trabalhadores terceirizados, que são contratados principalmente para serviços de manutenção. A queda, que segundo o petroleiro teria sido de cerca de cerca de 800 trabalhadores, tem graves efeitos na manutenção da unidade e na segurança de todos trabalhadores e região.

Uma das consequências da redução de trabalhadores na manutenção tem sido o aumento do número de vazamentos. Moradores de bairros vizinhos à refinaria já entraram na justiça em decorrência de fortes cheiros na região [3]. O Sindicato dos Petroleiros veio a público afirmar que se tratava de um vazamento de dimetil dissulfeto, altamente tóxico, por más condições de armazenamento. Um desses vazamentos chegou, em 12 de junho de 2019, a um princípio de incêndio que foi controlado pelos trabalhadores.

Obras de modernização da Refinaria Gabriel Passos, em Minas Gerais. Foto: Ministério do Planejamento.

Segundo Alexandre, é uma tática empresarial que já foi adotada por Fernando Henrique Cardoso no passado. Consiste na redução dos custos de manutenção da unidade para torná-la mais atrativa às grandes empresas. A consequência, no passado, foi a explosão e naufrágio da Plataforma P-36 [4], em 2001, deixando 11 mortos e perdas na casa dos 350 milhões de dólares.

Temeroso sobre as consequências de um semelhante desfecho para a Refinaria Gabriel Passos, Alexandre destaca que vem alertando desde o início os efeitos dessa redução de quadros. “O número de vazamentos permanece aumentando. Você tem hoje mais vazamentos aparecendo do que capacidade de mão de obra para sanar os anteriores.” O petroleiro alerta para a possibilidade de uma explosão de uma esfera de GLP que existe dentro da refinaria, que colocaria em risco toda a região de Betim até Contagem.

Minas Gerais foi palco nos últimos anos de verdadeiros crimes ambientais e humanitários em decorrência de semelhantes políticas de cortes de gastos [5]. A Vale do Rio do Doce (atualmente Vale), ex-estatal vendida em 1997 pelo governo Fernando Henrique Cardoso, vem colecionando crimes irreparáveis contra a humanidade e nos dá um mal presságio sobre os efeitos da privatização da Refinaria Gabriel Passos.

“A defesa da REGAP extrapola a defesa dos empregos diretos envolvidos”, afirma Alexandre Finamori. Se trata de uma defesa da soberania e do monopólio estatal do petróleo, única forma de garantir que o baixo custo de produção brasileiro seja sentido no bolso dos trabalhadores. Se trata também da garantia que os lucros do petróleo serão revertidos em políticas públicas essenciais, garantia que a privatização ameaça. Afinal, empresas como a Fiat, em Betim, gozam de enormes benefícios fiscais [6], isentando-os de grandes impostos.

“Defender a Petrobras é defender os empregos diretos e indiretos, o preço de gasolina, diesel e gás de cozinha menores e a arrecadação de imposto para municípios e estado de Minas Gerais.”, conclui Alexandre.

Foto de capa: Betim – MG. Movimento operário organiza ato em defesa da Petrobrás em março de 2015.

[1] https://diariodocomercio.com.br/economia/chinesa-sinopec-e-eig-apresentam-ofertas-para-aquisicao-da-regap/

[2] https://www.fup.org.br/ultimas-noticias/direto-dos-sindicatos/item/24438-sindipetro-mg-ingressa-com-acao-na-justica-para-barrar-venda-da-regap

[3] https://www.brasildefatomg.com.br/2019/09/11/sucatear-para-privatizar-velha-formula-e-aplicada-na-gabriel-passos-em-betim-mg

[4] http://www.fnpetroleiros.org.br/noticias/4703/feridas-abertas-17-anos-depois-do-acidente-na-p-36

[5] https://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2019/01/de-mariana-brumadinho-nada-foi-feito-para-evitar-desastres-diz-procurador.html

[6]https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2018/09/16/internas_economia,989192/beneficios-fiscais-para-montadoras-atingirao-recorde-de-r-7-2-bi-em-2.shtml

 

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Mesmo com a crise do coronavírus, Petrobrás vai à venda https://www.poderpopularmg.org/petrobras-vai-a-venda/ https://www.poderpopularmg.org/petrobras-vai-a-venda/#respond Thu, 07 May 2020 19:55:05 +0000 https://www.poderpopularmg.org/?p=74467 LEONARDO GODIM

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Parte I da reportagem ‘Petrobrás a venda’

Por Leonardo Godim para o portal Poder Popular MG.

BELO HORIZONTE – Um longo processo de privatização, disfarçado sob a alcunha de “desinvestimentos”, está em curso na Petrobrás, cujo próximo episódio é a venda de 8 das suas 13 refinarias. Correspondendo a 50% da capacidade de refino da empresa, esta venda será o momento crucial do maior crime de lesa-pátria da história recente do Brasil.

Em novembro de 2019, o Conselho de Administração da Petrobrás apresentou o primeiro plano estratégico sob a presidência de Castello Branco. O projeto diminui 10% dos investimentos até então previsto para o período, com foco nas unidades de exploração e produção de petróleo. O setor de refino entra na “carteira de desinvestimentos” da empresa, que inicia com a venda de quatro refinarias. A segunda etapa será a venda de mais quatro refinarias, entre elas a Refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG).

Gustavo Marun, trabalhador da Petrobrás, membro do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros denuncia as medidas como um saque aos recursos naturais brasileiros e à nossa capacidade produtiva. “Recentemente foram “saqueados”, por exemplo, campos de petróleo estratégicos do pré-sal, praticamente toda nossa malha de gasodutos (que somos obrigados a usar e pagar aluguel caríssimo) e a BR Distribuidora (segunda maior empresa brasileira em termos de faturamento). A Petrobrás está perdendo sua integridade na cadeia produtiva do petróleo, e quem mais perde é o trabalhador, que se vê refém de cartéis internacionais que praticam sobrepreço de combustíveis e gás de cozinha, além de não garantirem abastecimento para todo o território do país.”

Para Gustavo, os interesses privados sempre rodearam a Petrobrás e aproveitam a crise para atacar o patrimônio da estatal. “O mercado não queria sequer que fundássemos uma empresa nacional de petróleo, mas dado o sucesso da campanha “O Petróleo é Nosso”, não conseguiram impedir essa façanha histórica dos verdadeiros brasileiros (progressistas, comunistas e nacionalistas que impulsionaram aquela luta).” 

A venda de setores estratégicos da Petrobrás se dá no momento de maior arrecadação da empresa. No ano passado, os lucros líquidos da Petrobrás somaram R$40,1 bilhões, o maior de sua história. A contribuição para cofres públicos alcançou a cifra de R$246 bilhões, seis vezes maior do que a soma de lucros. Fruto de bilionários investimentos públicos em toda cadeia produtiva de petróleo, o retorno destes valores em preços que beneficiem o consumidor nacional e em políticas públicas necessárias ao povo brasileiro se veem ameaçadas pela privatização.

O foco na exploração e produção acentua o papel do Brasil como produtor de petróleo e importador de combustíveis. A dinâmica de exportação do petróleo brasileiro por multinacionais é a reprodução de antigos mecanismos de transferência de valor dos países dependentes na periferia para as economias centrais. 

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As medidas do governo federal encontram forte resistência na categoria dos petroleiros, que entraram em greve no início de fevereiro desse ano. A Federação Nacional dos Petroleiros e a Federação Única dos Petroleiros convocaram a greve nacional contra o fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados no Paraná e a demissão de quase mil trabalhadores. A greve durou 20 dias e teve participação de 50 plataformas de petróleo e outras dezenas de unidades operacionais.

Questionado sobre qual o recado dos petroleiros para a população brasileira neste momento, Gustavo Marun afirma: “O recado é que a Petrobrás precisa ser novamente abraçada pelo povo brasileiro, que deve forçá-la a retomar sua missão histórica: desenvolver nosso país e distribuir a renda petroleira para quem gera esse valor extraordinário – os trabalhadores. Os preços dos combustíveis e gás de cozinha estão nas alturas por conta de uma política irresponsável e insana da atual gestão, de alinhamento com a cotação internacional em dólar. Nosso custo de produção é muitíssimo mais baixo. Essa política está alinhada com interesses estrangeiros, contra o nosso povo, para enriquecer quem já é podre de rico! Precisamos disputar o projeto de Petrobrás e debater o caráter das estatais. Queremos uma Petrobrás 100% estatal, mas também sob controle popular e a serviço dos trabalhadores brasileiros!”

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PRIVATIZAÇÃO: MITO VS. REALIDADE https://www.poderpopularmg.org/privatizacao/ https://www.poderpopularmg.org/privatizacao/#comments Tue, 05 Feb 2019 18:47:22 +0000 https://www.poderpopularmg.org/?p=74112 PABLO LIMA

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Por Pablo Lima*

O rompimento da barragem de Brumadinho, apenas três anos após Mariana, revela o saldo de duas décadas de privatização da Vale: mortos, destruição e insegurança pública em nome do lucro privado.

O QUE É UM MITO?

Um mito é uma mentira que se faz passar por verdade. O Brasil, graças à justiça eleitoral, elegeu um mito para a presidência da república. A eleição de Bolsonaro é um bom exemplo de como a mitologia está presente na vida política atual. Bolsonaro é exatamente uma mentira travestida de verdade.

O QUE SUSTENTA UM MITO?

Um mito é sustentado por outros mitos, em uma trama mitológica criada e propagada por pessoas com interesses e objetivos concretos. Assim, um mito é útil como instrumento de marketing político. No caso brasileiro, o mito-presidente foi eleito com base em diversos mitos disseminados pelas mídias cotidianamente (as fake-news). 2018 foi um ano mitológico. Tivemos, por exemplo, o mito de um sistema eleitoral democrático, na realidade manipulado pelo poder judiciário para favorecer as candidaturas da direita. Somado a este, o mito de que a corrupção teria se generalizado durante os governos do PT e que seria a causa da crise econômica que o país enfrenta. A resposta para a crise, estampada o tempo todo nos jornais da grande imprensa e no programa político de muitos candidatos eleitos, seria o mito da privatização de estatais, acompanhado pelo mito da flexibilização da legislação e fiscalização tanto trabalhistas quanto ambientais, como exigências do deus mercado.

O MITO DA PRIVATIZAÇÃO

Bolsonaro foi eleito defendendo o mito da privatização. Nada de novo. Na década de 1990, os governos Collor, Itamar e FHC gastaram milhões em publicidade para convencer a população que privatizar as estatais e, assim, diminuir o tamanho do Estado seria algo benéfico para toda a sociedade. Era a propagação do neoliberalismo no Brasil, materializado no mito da privatização. Esse mito, hoje, dá o tom do projeto político do atual governo federal. O governo Bolsonaro afirma que seu objetivo é privatizar tudo. E que isso é um bom negócio.

A PRIVATIZAÇÃO DA CIA. VALE DO RIO DOCE

A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), foi criada em 1942, durante o primeiro governo Vargas, quando o Brasil estava em plena guerra contra o nazi-fascismo, com o objetivo de assegurar a soberania minerária brasileira, fundamental para o processo de industrialização, bem como garantir que os lucros da mineração servissem para o benefício de toda a sociedade. Durante cinco décadas, o Estado brasileiro seguiu uma linha política nacional-desenvolvimentista, com uma forte presença de empresas estatais na economia, como a CVRD, a Petrobrás (criada em 1953), a Embraer (criada em 1969 e privatizada em janeiro de 2019), e muitas outras empresas. Os trabalhadores dessas estatais contavam com direitos trabalhistas, como estabilidade, salários dignos e condições de segurança no trabalho.

Em 1997, a CVRD, empresa superavitária, foi privatizada por pouco mais de 3 bilhões de reais, como parte do processo de privatizações promovido por FHC. A CVRD foi rebatizada pelos compradores, em 1997, como apenas Vale, provavelmente para facilitar a pronúncia dos gringos. A promessa mítica era que, uma vez privatizada, a Vale seria uma empresa com mais eficiência e competitividade e, portanto, contribuiria mais para o crescimento econômico e geraria mais empregos.

O MITO DAS TERCEIRIZAÇÕES

Com a privatização, o lucro gerado pela Vale passou a ser embolsado pelos seus diretores, como renda privada, e não mais direcionado a uma finalidade social. Mas, isso não era suficiente. Após a privatização, os donos da Vale não se satisfaziam com os lucros que a empresa já gerava. Precisavam de mais lucros, para realizar seus sonhos milionários, suas viagens inesquecíveis, seus castelos principescos. Assim, passaram a cortar o que consideravam como “despesas” e “custos do trabalho”, tornando as condições de trabalho mais precárias com as terceirizações.

O trabalho que antes era feito diretamente pelos funcionários da própria empresa, então pública, passou a ser feito por trabalhadores de outras empresas subcontratadas. A grande diferença estava no fato de que estes trabalhadores terceirizados seriam mais baratos. Isso é possível com o pagamento de salários mais baixos e com a flexibilização de diversas normas de segurança no trabalho.

A REALIDADE

Já no primeiro mês de mandato, a realidade da privatização toma o lugar do mito: outra barragem se rompe, desta vez matando centenas de cidadãos brasileiros, além da fauna e flora da região de Brumadinho. A verdade, como gostam de dizer os bolsominions, prevaleceu. A privatização foi um péssimo negócio. E as terceirizações matam. A barragem que se rompeu havia sido vistoriada e considerada segura por uma empresa… terceirizada.

Em mais de 50 anos como empresa estatal, a CVRD foi orientada pelo interesse público, vistoriada por trabalhadores bem-remunerados, com estabilidade no emprego e condições de trabalho decentes. Neste período, nenhuma barragem se rompeu. Após apenas duas décadas de privatização e terceirizações, o resultado é a lama assassina.

SOLUÇÃO: REESTATIZAR A VALE E REVOGAR A REFORMA TRABALHISTA

Então, conhecendo a verdade, podemos nos libertar do mito da privatização. É preciso defender a reestatização da Vale, acabando com a terceirização e as condições precárias de trabalho. Para isso, é preciso que a reforma trabalhista seja revogada, com a restauração plena dos direitos trabalhistas e a garantia de condições seguras de trabalho. A cada dia, fica mais evidente que isso só ocorrerá com uma revolução socialista!

TODA SOLIDARIEDADE ÀS POPULAÇÕES ATINGIDAS POR BARRAGENS!

TODA SOLIDARIEDADE ÀS VÍTIMAS DAS PRIVATIZAÇÕES E TERCEIRIZAÇÕES!

TODA SOLIDARIEDADE AO POVO DE MARIANA E VALE DO RIO DOCE!

TODA SOLIDARIEDADE AO POVO DE BRUMADINHO!

PELA REESTATIZAÇÃO DA CIA. VALE DO RIO DOCE!

PELA REVOLUÇÃO SOCIALISTA!

PELO PODER POPULAR!

*Pablo Lima é professor de história e membro do CC do PCB.

Crédito da imagem: Daniela Néspoli.

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